Artistas apoiam reeleição de Lula e cobram novo ciclo na cultura
Manifesto com mais de 100 nomes do setor cultural declara apoio à reeleição de Lula, mas cobra mudanças na gestão do Ministério da Cultura. Documento pede orçamento estratégico, políticas para Iphan, Funarte e Ancine, além de melhores condições de trabalho para artistas e técnicos.

Divulgação
Mais de 100 artistas, intelectuais e produtores culturais lançaram, nesta quinta-feira (17 de setembro de 2026), um manifesto de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento também cobra mudanças na política cultural do governo federal e defende a abertura de um novo ciclo no Ministério da Cultura (MinC).
Apoio político com cobranças ao governo
Intitulado “A cultura está com Lula e pede mudanças”, o texto reúne assinaturas de nomes como os cineastas Gabriel Mascaro, Laís Bodanzky, Juliano Dornelles e Joel Zito Araújo, o escritor Fernando Morais, a jornalista Tereza Cruvinel, a artista visual Rosana Paulino, o músico Lirinha e a líder indígena Benki Ashaninka.
O grupo reconhece a recriação do MinC e o aumento de recursos destinados ao setor após o início do governo Lula. Entretanto, os signatários avaliam que os resultados do mandato ainda estão abaixo do potencial da cultura brasileira e defendem uma atuação mais estratégica do ministério na formulação de políticas públicas.
Orçamento precisa gerar resultados
Para os autores do manifesto, o crescimento orçamentário deve vir acompanhado de objetivos, metas e impactos concretos. O documento afirma que as políticas culturais precisam produzir resultados artísticos, econômicos e sociais, com avanços no número de leitores e de público em shows, cinemas, teatros e outros espetáculos.
O texto também destaca a necessidade de garantir sustentabilidade financeira e trabalho digno a artistas, produtores e técnicos. Segundo o manifesto, a população continua enfrentando dificuldades de acesso à produção cultural, o que exige políticas voltadas à distribuição, à circulação e à democratização das artes.
Fortalecimento de Iphan, Funarte e Ancine
Os signatários pedem políticas mais consistentes para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Fundação Nacional de Artes (Funarte) e a Agência Nacional do Cinema (Ancine). A proposta é superar uma gestão limitada à distribuição de editais e leis de incentivo, dando maior protagonismo ao MinC.
O manifesto defende que a cultura seja incorporada às estratégias nacionais de desenvolvimento econômico e reindustrialização. O setor é apresentado como fonte de emprego, renda, identidade e influência internacional, especialmente nas relações com países do Sul Global.
Tecnologia, streaming e emendas parlamentares
O documento também cobra medidas diante do avanço de grandes empresas de tecnologia e plataformas de streaming no mercado brasileiro. Os signatários argumentam que parte significativa dos recursos gerados pela cultura permanece concentrada em corporações internacionais, enquanto artistas e produtores recebem parcela limitada dos resultados.
As emendas parlamentares também são criticadas no texto, que questiona a destinação de recursos culturais por esse mecanismo. Ao final, o manifesto reforça o apoio à candidatura de Lula, mas deixa clara a expectativa por uma mudança na política cultural em um possível próximo mandato.
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