Chefe militar da Otan elogia acordo dos EUA com Dinamarca e Groenlândia
O presidente do Comitê Militar da Otan avaliou positivamente o acordo que concede aos Estados Unidos controle permanente sobre operações de segurança e defesa na Groenlândia.

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Acordo reforça presença dos EUA no Ártico
O presidente do Comitê Militar da Otan, o almirante Giuseppe Cavo Dragone, elogiou o acordo firmado entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia, que concede aos EUA o controle permanente das operações de segurança e defesa no território groenlandês. Durante coletiva realizada nesta sábado (19), em Copenhague, Cavo Dragone afirmou que a região ártica é cada vez mais estratégica e que um acordo voltado à defesa da área é “muito, muito bem-vindo”.
Para o comandante militar, o aumento das atividades na região torna essencial manter uma estrutura capaz de responder às demandas de segurança. A Groenlândia está localizada entre o Ártico e o Atlântico Norte, posição que favorece operações militares, monitoramento de rotas marítimas e vigilância em um espaço internacional cada vez mais disputado.
Assinatura deve ocorrer na Assembleia da ONU
O tratado foi anunciado na sexta-feira (18) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e deverá ser assinado na próxima semana, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. Trump classificou a negociação como um acordo de duração infinita e disse que os EUA terão liberdade permanente para atuar na Groenlândia sem custos adicionais aos cofres públicos do país.
Nova York também deve registrar uma tentativa de impedir que nações consideradas adversárias dos Estados Unidos instalem bases militares, mantenham tropas ou realizem investimentos em setores sensíveis na ilha sem autorização prévia de Washington. A medida amplia a influência norte-americana no território e cria uma barreira à presença de outros governos em áreas estratégicas do Ártico.
Dinamarca afirma que soberania será preservada
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que o acordo não compromete a soberania da Groenlândia nem a integridade territorial do Reino da Dinamarca. Para ela, a negociação fortalece a segurança compartilhada no Ártico e no Atlântico Norte, beneficia a Otan e a Europa e reconhece o direito do povo groenlandês à autodeterminação.
Ainda não foram divulgados detalhes sobre o tamanho da presença militar norte-americana na ilha ou os limites exatos da autoridade que Washington passará a exercer. A ausência dessas informações deve manter o acordo sob análise de especialistas em segurança internacional, que observam como a concessão pode alterar o equilíbrio geopolítico na região.
Conflitos diplomáticos e interesse norte-americano
O novo entendimento encerra meses de tensão entre a Dinamarca e Trump, que havia defendido o controle da Groenlândia para instalar um escudo antimísseis conhecido como Domo de Ouro. A Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca, sempre despertou interesse dos EUA por sua localização, rotas marítimas e reservas naturais.
O tratado pode, porém, trazer novas disputas. Além dos impactos militares, a maior influência dos Estados Unidos na ilha tende a reacender debates sobre soberania, exploração de recursos e participação de outros países no Ártico. Para a Otan, o acordo representa um reforço operacional; para a Groenlândia, uma mudança de alcance político ainda definido.
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