Celso Amorim entrega carta de Lula a Xi Jinping em Pequim
Celso Amorim se reuniu com o chanceler Wang Yi e entregou uma carta de Lula a Xi Jinping. A mensagem reforça a cooperação com a China e sinaliza interesse em parcerias envolvendo inteligência artificial, minerais críticos e terras raras.

Divulgação
Celso Amorim, assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, esteve em Pequim nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, para uma reunião com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi. Durante o encontro, entregou uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente chinês, Xi Jinping, com propostas para aprofundar a cooperação entre os dois países.
Carta reforça cooperação estratégica
A mensagem de Lula destaca a importância da relação bilateral e aponta áreas consideradas prioritárias para os próximos anos. Entre elas estão a inteligência artificial, os minerais críticos e as terras raras, recursos essenciais para setores como eletrônicos, energias renováveis, defesa, telecomunicações e veículos elétricos.
O gesto confirma o interesse do governo brasileiro em ampliar a parceria tecnológica e industrial com Pequim. A China é atualmente o principal parceiro comercial do Brasil e ocupa posição dominante no beneficiamento global de terras raras, controlando mais de 90% da capacidade mundial de processamento desses minerais.
Brasil busca desenvolver cadeia produtiva
Ainda não existe, oficialmente, um acordo entre os dois governos para criar uma cadeia produtiva conjunta de terras raras. No entanto, o país asiático é tratado pelo Planalto como um parceiro potencial para ajudar o Brasil a avançar na pesquisa, no processamento e na agregação de valor a esses recursos.
A iniciativa pode reduzir a dependência brasileira da exportação de matérias-primas sem beneficiamento. Para gaining relevância internacional nesse mercado, o país precisará investir em geologia, tecnologia, infraestrutura, capacitação técnica e regras ambientais capazes de conciliar exploração econômica com preservação.
Diplomacia ocorre em cenário eleitoral delicado
A viagem de Amorim acontece a 17 dias do primeiro turno das eleições, em um momento em que pesquisas indicam possível disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno. Os dois projetam estratégias diferentes para o setor: enquanto Lula busca ampliar opções de cooperação com a China, Flávio indica os Estados Unidos como parceiro preferencial.
O movimento também ocorre durante o desgaste entre Brasília e Washington, agravado por tarifas norte-americanas contra produtos brasileiros e por acusações do governo Lula sobre interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral. Lula deve cobrar respeito à soberania brasileira em eventual encontro com Donald Trump durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Antes de chegar à China, Celso Amorim passou pela França e pela Índia. Os dois países também são vistos pelo governo brasileiro como possíveis parceiros no desenvolvimento de minerais críticos e terras raras. A agenda revela uma estratégia de diversificação diplomática em um setor cada vez mais disputado pelas principais potências econômicas do mundo.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








