Celina rebate Vorcaro e diz que era contrária à compra do Master
A governadora do DF afirma que não teve contato com Daniel Vorcaro e que já se opunha à aquisição do Banco Master pelo BRB antes de as tratativas irem a público. Ela classifica como falsa a narrativa de que teria participado da negociação.

Divulgação
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta terça-feira (15 de setembro de 2026) que era contrária à tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) antes de o assunto se tornar público. Ela também negou ter mantido contato com Daniel Vorcaro, fundador da instituição financeira.
A declaração foi uma resposta a mensagens tornadas públicas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, após o levantamento do sigilo de investigações da Polícia Federal. Nos trechos, Vorcaro afirma que Celina “não ficou de fora” das negociações envolvendo o Master e o BRB.
Celina nega participação nas tratativas
“Seis meses antes de qualquer tipo de operação, eu já era contrária”, disse a governadora. Para ela, o material foi apresentado fora de contexto e sustenta uma narrativa que não corresponde aos fatos.
Celina reforçou que nunca conversou com Vorcaro e que não há mensagens trocadas entre os dois. Segundo a governadora, o próprio teor dos diálogos mostra que Vorcaro e um terceiro discutiam se ela sabia ou não detalhes da operação.
“Eu nunca tive nenhum contato com o Vorcaro. O Vorcaro não tem meu telefone no telefone dele. Não tem uma mensagem minha trocada para o Vorcaro”, afirmou. Celina sustenta que sua oposição à compra teria motivado uma articulação para desgastá-la politicamente.
Mensagens foram trocadas em abril de 2025
As mensagens foram enviadas em 5 de abril de 2025, quando Ibaneis Rocha (MDB) ainda comandava o DF e Celina ocupava a vice-governadoria. Na ocasião, o empresário Thiago Miranda encaminhou a Vorcaro o link de uma reportagem na qual a então vice afirmava não ter sido consultada sobre a operação.
Miranda avaliou que Celina estaria tentando se preservar politicamente: “A Celina eu conheço muito bem. Ela agora está querendo aparecer porque ficou de fora da negociação.” Vorcaro discordou da interpretação e respondeu: “Não ficou de fora, não. Isso aí é jogo para se preservar na política.”
Disputa sobre o significado das mensagens
Na mesma conversa, Vorcaro afirmou que a discussão política da operação não lhe preocupava, desde que esse fosse o novo foco. Segundo ele, o principal problema seria a “descredibilização” dele e do Banco Master. “Isso sim, temos que atacar”, escreveu.
Celina afirma que a frase foi usada para construir uma acusação falsa contra ela. A defesa de Thiago Miranda, por sua vez, endossa a versão de que a governadora não participou das negociações. Em nota, informou que as mensagens são recortes de conversas privadas e que, isoladamente, podem levar a interpretações diferentes do que ocorreu.
A defesa de Vorcaro não apresentou uma manifestação específica sobre a resposta da governadora até a publicação desta reportagem.
Compra foi barrada pelo Banco Central
A aquisição do Banco Master pelo BRB foi barrada pelo Banco Central em 2025. Mesmo com o impedimento, o banco público do DF adquiriu R$ 12 bilhões em créditos da instituição de Vorcaro.
A Polícia Federal afirma que a análise do Banco Central encontrou indícios de carteiras inexistentes e que nenhum crédito teria podido ser confirmado. As alegações integram as investigações da Operação Compliance Zero, cuja primeira fase foi deflagrada em novembro de 2025.
Desde o início das investigações, Celina nega qualquer envolvimento com Vorcaro, com o Banco Master e com as tratativas de compra pelo BRB. O caso reacende o debate sobre a condução da operação e sobre os impactos políticos de uma transação que envolveu uma instituição financeira privada e o principal banco do Distrito Federal.
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