Celina diz que acionará CVM contra Lula após declarações sobre crise no Brb
Governadora do Distrito Federal afirma que declarações do presidente sobre o BRB interferem na liquidez do mercado e contrariam a posição da Advocacia-Geral da União. Ela pretende apresentar representação à CVM enquanto o GDF busca uma operação de crédito com garantia federal.

Divulgação
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, que pretende acionar a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão é uma resposta às declarações do petista sobre a crise de liquidez no Banco de Brasília (BRB).
Declarações sobre socorro federal
Durante um comício realizado em Ceilândia, na quarta-feira, 16, Lula criticou a administração distrital e afirmou que o governo federal não fornecerá dinheiro para socorrer o banco. Celina avalia que a afirmação contraria a orientação da Advocacia-Geral da União (AGU) e pode ampliar a instabilidade no mercado.
Para a governadora, a fala presidencial tem efeito direto sobre a confiança de instituições financeiras e sobre a capacidade do BRB de captar recursos. Ela classificou a declaração como “crime” e disse que o presidente contrariou publicamente a possibilidade de uma solução organizada com apoio de bancos e garantia da União.
“Quando o presidente da República fala, ele mexe na liquidez. E ele fala o contrário do que a AGU está falando”, afirmou Celina. A representação à CVM deve questionar o impacto político e regulatório das declarações, embora a competência do órgão para analisar o caso ainda precise ser avaliada.
Disputa política em torno do BRB
O embate ocorre em um momento de alta tensão entre o Planalto e o governo do Distrito Federal. Na quinta-feira, 17, Celina já havia classificado as críticas de Lula como ofensas pessoais e questionado o tom utilizado pelo presidente contra uma governadora mulher.
No comício, Lula afirmou que a administração distrital tenta transferir para a União a responsabilidade pela crise no banco. O petista também acusou Celina de agir de forma “cínica e mentirosa” ao cobrar uma solução federal para a instituição financeira.
Operação de crédito depende de garantias
O governo distrital busca viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões com garantia da União para reforçar o caixa do BRB. A necessidade de capitalização está relacionada às perdas registradas com ativos de risco adquiridos do Banco Master.
Celina informou que o balanço financeiro do banco está pronto, mas deve ser divulgado somente depois da conclusão da operação de crédito junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo ela, a publicação dos dados não seguirá um calendário político, mas exigências técnicas e regulatórias.
As demonstrações financeiras do BRB referentes a 2025 tiveram a divulgação adiada em 30 de maio de 2026, após outros atrasos. Na ocasião, a instituição havia prometido apresentar os números até o fim de junho, mas o cronograma não foi cumprido.
Disputa sobre participação nas negociações
A crise também reacendeu a discussão sobre a origem das operações envolvendo o Banco Master. Mensagens atribuídas a Vorcaro indicam que Celina, então vice-governadora, teria participado das negociações entre as instituições. A governadora nega participação na operação e afirma que sempre foi contrária ao negócio.
O caso coloca em lados opostos a estratégia do governo distrital para preservar o BRB e a posição do governo federal de evitar um resgate bancário sem garantias e responsabilização pelos prejuízos. A expectativa agora é que a CVM se manifeste sobre a possibilidade de analisar as declarações questionadas por Celina.
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