Brasil não comporta político que se curva aos EUA, diz Lula
Durante comício em Ceilândia, Lula criticou Flávio e Eduardo Bolsonaro, falou sobre a PEC dos terrenos de marinha e reforçou apoio a Leandro Grass, embora mantenha relação com outro candidato ao governo do DF, Ricardo Cappelli.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e o irmão dele, Eduardo Bolsonaro, durante comício realizado na quarta-feira (16), em Ceilândia, no Distrito Federal. Ao discursar na Praça do Trabalhador, Lula afirmou que o Brasil “não comporta político vira-lata” e disse que esse tipo de político “de dia mostra a bandeira nacional e, de noite, vai ficar de 4 para os Estados Unidos, para a bandeira americana”.
Acusações contra Eduardo Bolsonaro
Lula declarou que Flávio teria enviado o irmão aos Estados Unidos para “tramar contra o Brasil”. O presidente também chamou Eduardo de “traidor da pátria” e afirmou que ele fala mal do país enquanto pede uma intervenção de Donald Trump na política brasileira. As acusações foram feitas em um discurso de campanha e integram o confronto direto entre Lula e aliados do bolsonarismo no cenário eleitoral.
Polêmica sobre praias e terrenos de marinha
O petista também associou Flávio Bolsonaro à suposta defesa da privatização das praias. Segundo Lula, o senador queria transformar o acesso do público ao litoral em serviço pago, obrigando a população a pagar pedágio para tomar banho. Flávio foi relator da Proposta de Emenda à Constituição 3 de 2022, que trata dos chamados terrenos de marinha, categoria jurídica ligada a imóveis da União. A proposta não prevê diretamente a privatização das praias, cuja faixa de areia tem uso público, mas o tema passou a ser usado politicamente no debate sobre a gestão do patrimônio costeiro.
Palanque dividido no Distrito Federal
O comício em Ceilândia serviu para Lula demonstrar apoio a Leandro Grass (PT), candidato ao governo do Distrito Federal. Também participaram do ato a deputada Erika Kokay (PT), candidata ao Senado; a senadora Leila do Vôlei (PDT), que busca a reeleição; e a primeira-dama Janja Lula da Silva. Janja voltou a cantar o jingle evangélico “Tapete vermelho”, acompanhada pelo músico Kleber Lucas.
A presença de Lula, no entanto, ocorre em meio a uma divisão de palanques no Distrito Federal. Embora apoie Grass no pleito local, o presidente também mantém relação política com Ricardo Cappelli (PSB), outro candidato ao governo distrital. A divergência revela dificuldades para organizar alianças regionais, apesar da união entre PT e PSB no plano nacional, onde Geraldo Alckmin deve repetir a parceria com Lula na chapa presidencial.
Cappelli foi interventor após atos de 8 de janeiro
Cappelli comandou uma intervenção federal no Distrito Federal entre os dias 8 e 31 de janeiro de 2023. Ele havia sido indicado por Lula depois dos ataques de bolsonaristas às sedes dos Três Poderes em Brasília. Na ocasião, o então governador Ibaneis Rocha (MDB) foi afastado do cargo, e Cappelli, que era secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, assumiu temporariamente a administração distrital.
As pesquisas eleitorais mostram Grass em posição mais favorável. Em levantamento Datafolha divulgado na sexta-feira (11), o petista aparecia com entre 16% e 19% das intenções de voto, conforme o cenário, enquanto Cappelli registrava 3%. A diferença reforça a tentativa de Lula de fortalecer seu aliado petista sem romper definitivamente com o PSB, partido que compõe a base nacional do governo.
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