Grupo de intimidação ligado a Daniel Vorcaro tinha férias de fim de ano, diz PF
Mensagens recuperadas pela Polícia Federal indicam que integrantes de A Turma, grupo investigado por levantar dados sigilosos e intimidar alvos ligados a Daniel Vorcaro, interromperiam as atividades para entrar em férias. A investigação também apura acessos indevidos a sistemas internos, possíveis pagamentos e atuação de um núcleo hacker.

Divulgação
Mensagens recuperadas pela Polícia Federal indicam que integrantes de A Turma, grupo investigado por levantar informações sigilosas e intimidar pessoas ligadas a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, entrariam em férias no fim de 2023. Em uma conversa registrada em 13 de dezembro daquele ano, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva cobrava uma definição sobre uma demanda antes da paralisação do grupo.
O áudio teria sido encaminhado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, que fazia a intermediação entre Vorcaro e os integrantes da estrutura. Para a PF, A Turma era acionada para obter dados sobre inquéritos, processos, pessoas e empresas, inclusive por meio de sistemas com acesso restrito a servidores.
Acesso a sistemas restritos
A investigação atribui ao grupo ações de intimidação contra pessoas que desagradavam Vorcaro. Segundo a PF, o núcleo contava com ao menos três policiais federais, dois aposentados e um da ativa, e recebia remuneração mensal para atuar sob demanda. Marilson mantinha contato direto com os integrantes, enquanto Mourão articulava os pedidos vindos de Vorcaro.
Os investigadores afirmam que Marilson solicitou ao policial federal Anderson Wander da Silva Lima pesquisas em sistemas da corporação para atender aos interesses do empresário. Wander também teria acionado outros policiais, aproveitando relações de confiança entre servidores. Uma auditoria identificou consultas indevidas no sistema ePol, de uso exclusivo da Polícia Federal, com acessos apontados inicialmente a partir da delegacia de Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Indícios de pagamentos
A representação investiga possíveis contrapartidas financeiras pela atuação dos envolvidos. Em um episódio citado pela PF, Marilson teria pedido a Anderson, em 31 de dezembro de 2025, sua chave Pix para enviar uma “oferenda”. No dia seguinte, o policial teria enviado um áudio agradecendo pelo valor recebido, mas os investigadores não conseguiram determinar o montante transferido.
Atuação de um núcleo hacker
A PF também descreve a existência de outro grupo, chamado Os Meninos, formado por David Henrique Alves, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Victor Lima Sedlmaier. De acordo com a investigação, os integrantes teriam capacidade de invadir dispositivos móveis, serviços de armazenamento em nuvem e sistemas governamentais para obter dados sigilosos.
O núcleo teria sido acionado em diferentes ocasiões contra críticos de Vorcaro. A investigação cita a derrubada de um perfil no Instagram que fazia críticas a um evento do Banco Master em Londres e um pedido atribuído ao empresário para “hackear” o jornalista Lauro Jardim. Mourão teria respondido que solicitaria a ação aos integrantes do grupo.
Autorização não equivale a condenação
Ao autorizar interceptações telefônicas, o ministro Alexandre de Moraes registrou a existência de indícios de autoria e materialidade e considerou preenchidos os requisitos legais para a medida. A decisão não significa, por si só, que os investigados tenham cometido os crimes descritos pela Polícia Federal. As acusações ainda precisam ser comprovadas durante a investigação e eventual processo judicial, com garantia de defesa aos envolvidos.
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