Ex-chefe de polícia recebeu R$ 1,8 milhão de empresa investigada pela PF
Investigação da Polícia Federal aponta que Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, recebeu vultosa quantia de companhia ligada a um esquema bilionário de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

Divulgação
Uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (15.out.2026) revelou que Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, recebeu a quantia de R$ 1,821 milhão de uma empresa investigada na operação Unha e Carne. A companhia em questão é a ADM Oil Prestadora de Serviços para Postos de Gasolina, que faz parte de um esquema complexo de corrupção e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis do estado.
Investigação aponta recebimento de valores por consultoria
Segundo as apurações da Polícia Federal, que teve acesso a dados bancários, Marcus Amim e sua esposa, Lylyane Maia Correia Costa, teriam recebido o montante em parcelas mensais de aproximadamente R$ 70.000. Esses pagamentos teriam sido feitos por meio da Mamim Consultoria, empresa de consultoria do casal. A suspeita é que a firma funcionasse como fachada para encobrir o pagamento de propinas. Além das parcelas regulares, um adiantamento de R$ 1,62 milhão foi identificado, destinado à compra de uma casa avaliada em R$ 3,28 milhões em Camboinhas, Niterói (RJ), ligada a um posto de combustíveis do grupo investigado.
Operação Unha e Carne investiga esquema bilionário
A ação policial desta quinta-feira representa a oitava fase da operação Unha e Carne, que investiga uma rede de corrupção, obstrução de justiça e um esquema que teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões. A investigação aponta conexões entre agentes públicos, políticos e facções do crime organizado, como o Comando Vermelho. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detalham a magnitude das movimentações financeiras suspeitas.
Mandados de prisão e busca em diversas cidades
Nesta nova etapa, a Polícia Federal cumpre seis mandados de prisão preventiva e dezesseis mandados de busca e apreensão. Ordens de sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas suspeitas – sendo 96 delas postos de gasolina – também foram expedidas. As medidas judiciais estão sendo executadas na capital fluminense e em outros seis municípios do estado, com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil. Entre os presos estão o próprio Marcus Amim e o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito, Márcio Canella, além de outros quatro funcionários da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Canella e Amim já haviam sido alvos em fases anteriores da investigação.
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