Sus reforça assistência no Centro-Oeste ante risco de calor e incêndios
Ministério da Saúde prepara base da Força Nacional do SUS em Brasília e intensifica o monitoramento climático para enfrentar estiagem, queimadas e problemas respiratórios na região.

Divulgação
O Ministério da Saúde anunciou um reforço na assistência à população do Centro-Oeste diante da expectativa de calor intenso, estiagem prolongada e aumento dos riscos de incêndios florestais. A estratégia inclui a instalação de uma base descentralizada da Força Nacional do SUS em Brasília, o monitoramento da qualidade do ar e ações integradas dos Centros de Informação em Saúde e Clima.
Preparação para estiagem e queimadas
O cenário de ausência de chuvas e redução da disponibilidade de água exige atenção especial dos gestores públicos. Além da maior incidência de focos de incêndio, a fumaça das queimadas pode elevar a procura por atendimento devido a crises respiratórias e cardiovasculares. Trabalhadores rurais e equipes que atuam no combate ao fogo também estão mais expostos a acidentes durante o manejo das chamas.
Para reduzir a vulnerabilidade da rede pública, 212 Unidades Básicas de Saúde já foram entregues ou estão em construção no Centro-Oeste por meio do Novo PAC. As chamadas UBS resilientes são projetadas para funcionar durante eventos extremos, com terrenos mais seguros, energia solar, geradores e reserva de água para até 72 horas. A região também recebeu 367 ambulâncias do SAMU e 79 soluções de acesso à água potável em áreas indígenas.
Monitoramento integrado orienta os municípios
O Centro de Informação em Saúde e Clima sediado em Cuiabá acompanha ondas de calor, incêndios e alterações na qualidade do ar. As informações são cruzadas com dados do Painel de Poluição Atmosférica e Saúde Humana, conhecido como VigiAr, e com informes sobre queimadas. O objetivo é antecipar picos de atendimento e orientar secretarias municipais e estaduais na organização de leitos, equipes e insumos.
A atuação é particularmente importante para idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e populações que vivem em áreas com menor acesso a serviços de saúde. Esses grupos tendem a sofrer mais com o estresse térmico e com a exposição prolongada à fumaça, o que pode agravar asma, bronquite, hipertensão e problemas cardíacos.
Força Nacional prepara resposta rápida
A Força Nacional do SUS terá apoio logístico a partir de Brasília e contará com uma base regional em implantação em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Quando hospitais ou unidades básicas forem afetados por incêndios, falta de água ou outros danos, equipes móveis e unidades modulares poderão substituir temporariamente a estrutura comprometida.
A estrutura também permite o envio coordenado de medicamentos de urgência, equipes de saúde e produtos para purificação de água. A articulação com o Cemaden e a Defesa Civil busca reduzir o tempo entre a identificação do risco e a chegada da resposta às cidades atingidas. As três primeiras bases regionais da força, inauguradas no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia, foram planejadas para iniciar atendimentos emergenciais em até 12 horas.
Em 2026, a Força Nacional do SUS realizou 11 missões em oito estados, cinco delas relacionadas a desastres. Ao todo, foram mobilizados 139 profissionais de 14 categorias, responsáveis por 4.899 atendimentos. O governo prevê nove bases regionais distribuídas pelas cinco regiões do país.
Plano de adaptação vai até 2035
As medidas fazem parte do AdaptaSUS, plano apresentado durante a COP30 para preparar a rede pública diante dos impactos das mudanças climáticas. A iniciativa prevê 27 metas, 93 ações e investimentos de R$ 9,8 bilhões até 2035, com prioridade para populações mais expostas a secas, enchentes, calor extremo e escassez de água.
Em escala nacional, o programa de reconstrução e modernização já soma mais de 2,2 mil UBS resilientes entregues ou em construção, 4,4 mil ambulâncias do SAMU e 20,8 mil cisternas e soluções para garantir água potável. No Centro-Oeste, o desafio imediato será transformar o monitoramento climático em respostas rápidas nos municípios durante o período crítico de seca e queimadas.
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