STF se divide sobre investigação envolvendo Moraes e Banco Master
Ministros do Supremo Tribunal Federal divergiram sobre a abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes e sua relação com Daniel Vorcaro. Relatório da Polícia Federal reúne mensagens e registros de contrato que serão analisados pela Corte.

Divulgação
O Supremo Tribunal Federal voltou a se dividir sobre a abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A resistência ao prosseguimento da apuração ganhou força com manifestações de Gilmar Mendes e Flávio Dino, além da convergência de Cristiano Zanin, que também questionou a análise isolada do caso.
Relatório da Polícia Federal reacende tensão
O relatório produzido pela Polícia Federal a pedido de André Mendonça, relator do caso Banco Master, reúne elementos que apontam para uma relação mais estreita entre Vorcaro e integrantes do entorno familiar de Moraes. O material inclui mensagens atribuídas ao banqueiro e registros de contratos firmados com o escritório da esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Entre as comunicações, Vorcaro questiona se deveria deixar o país antes de ser preso e pede ajuda para interlocução junto à direção da Polícia Federal e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O documento também registra a edição de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane. A existência do contrato, porém, não comprova por si só a prática de ilicitude e dependeria de apuração sobre sua origem, execução e eventual influência sobre atos oficiais.
Mensagens envolvem familiares de ministros
O material apreendido pela Polícia Federal também menciona familiares de outros ministros do STF. Trechos atribuídos a Vorcaro citam um suposto pagamento de R$ 500 mil a Kevin Marques, filho de Kassio Nunes Marques. Em outra linha de conversas, Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, aparece em mensagens nas quais o banqueiro teria pedido auxílio em processos.
Há ainda registros de que Vorcaro teria custeado ingressos para a família de um advogado em um camarote vip no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, em fevereiro de 2025. Nunes Marques afirmou não ter recebido recursos do Banco Master e declarou-se impedido de participar da deliberação, citando também suas responsabilidades na presidência do Tribunal Superior Eleitoral.
Pressões entre ministros antecedem sessão
Antes da sessão do plenário, Gilmar Mendes enviou mensagens a Luiz Fux e Kassio Nunes Marques cobrando posicionamentos favoráveis à suspensão de decisões relacionadas ao caso Banco Master. Fux reagiu de forma ríspida à cobrança. Já Nunes Marques foi acusado por Gilmar de adotar postura subserviente a André Mendonça e recebeu pedido para se afastar dos processos envolvendo o banco.
A troca de mensagens evidenciou o grau de desgaste entre os ministros. Nunes Marques pediu respeito, afirmou que estava disposto a abrir suas contas e encerrou a conversa após bloquear Gilmar. O episódio passou a integrar o contexto político do julgamento, marcado por acusações cruzadas e disputas sobre impedimentos e suspeições.
Questão de ordem altera o rumo do debate
Logo no início da sessão, Flávio Dino apresentou questão de ordem propondo que a possível investigação contra Alexandre de Moraes fosse analisada em conjunto com pedido semelhante envolvendo André Mendonça. A manobra concentrou o debate no relacionamento entre os processos e reduziu o tempo disponível para discussão específica dos indícios reunidos pela Polícia Federal.
A proposta de Dino foi apoiada por Gilmar Mendes e buscava estabelecer equivalência entre as suspeitas envolvendo Moraes e as acusações de parcialidade atribuídas a Mendonça. A estratégia também evitou uma votação direta sobre a abertura de investigação contra o ministro, postergando a análise de mérito para uma futura deliberação.
STF enfrenta crise institucional
Durante a reunião, Gilmar Mendes criticou duramente André Mendonça, especialmente pela decisão que afastou Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal e pela solicitação do relatório que menciona Moraes. Flávio Dino, por sua vez, rebateu as críticas ao citar mensagens que envolvem Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça.
O episódio revela uma divisão profunda no STF sobre os limites da investigação de seus próprios membros. A Corte precisará conciliar a preservação de prerrogativas institucionais com a necessidade de examinar indícios que envolvem ministros, familiares e relações com um banqueiro investigado por suposta fraude contra o sistema financeiro. A decisão final terá impacto direto na credibilidade da investigação e na percepção pública sobre a independência do Supremo.
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