Oposição cobra afastamento de Gonet após foto com Vorcaro em Londres
Oposição pede afastamento de Paulo Gonet após foto com Daniel Vorcaro em Londres. Parlamentares alegam que o registro contradiz declarações do PGR ao STF; defesa nega irregularidade.

Divulgação
Foto reacende questionamentos sobre relação com banqueiro
Lideranças da oposição pediram, neste sábado, 19, o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto em que ele aparece ao lado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, durante uma degustação de charutos em Londres. Para os críticos, o registro contradiz declarações feitas por Gonet ao Supremo Tribunal Federal sobre a extensão de seu contato com o banqueiro.
A imagem foi enviada em 19 de junho de 2025. Ciro Soares, advogado que intermediava conversas entre Gonet e Vorcaro, escreveu na ocasião: “PG mandou agora”. Segundo a defesa do advogado, a fotografia foi registrada em um evento realizado em 2024, antes de qualquer investigação envolvendo Vorcaro, e não apresenta irregularidade.
Oposição afirma que PGR teria feito declarações incompletas
O deputado federal Marcel van Hattem, candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, acusou Gonet de ter mentido durante sessão do STF realizada em 15 de julho. Na ocasião, os ministros analisavam uma petição sobre a possibilidade de abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Gonet afirmou então que não mantinha proximidade com o proprietário do Banco Master e que o encontro havia ocorrido em abril de 2024, em uma ocasião social com outras autoridades.
Van Hattem sustenta que a fotografia mostra uma relação mais próxima do que a descrita pelo procurador-geral. “Se não tinha proximidade, talvez seja só porque ele apareceu na foto do outro lado da mesa”, afirmou, defendendo que Gonet também seja investigado e deixe a Procuradoria-Geral da República.
Senadores pedem afastamento, renúncia ou impeachment
O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, também acusou Gonet de prestar informações incompletas ao Supremo. Ele informou ter protocolado, 17 dias antes, um pedido de afastamento do procurador-geral do caso envolvendo o Banco Master e cobrou posicionamento do Senado sobre o tema.
Já o senador Jorge Seif (PL-SC), ex-ministro da Pesca no governo Jair Bolsonaro, defendeu que Gonet renuncie ao cargo. Seif afirmou ter pedido o impeachment do procurador-geral e avaliou que ele não reúne condições políticas para continuar à frente da PGR. As declarações reforçam a pressão de parlamentares da oposição em um momento de maior atenção ao caso.
Críticas também questionam influência e distanciamento institucional
O deputado Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, afirmou que a fotografia reforça a percepção de que dinheiro e influência facilitam o acesso a autoridades. Segundo ele, enquanto parte da população aguarda por anos uma decisão judicial, pessoas com poder econômico circulam com desenvoltura entre ministros, magistrados e responsáveis por investigações.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), destacou que ocupantes de cargos públicos devem manter relações institucionais e preservar distanciamento de pessoas sob escrutínio. Para Portinho, Gonet se aproximou indevidamente de investigados e de seus clientes, reforçando a avaliação de que o procurador-geral fracassou no exercício da função.
Defesa cita manifestação do STF e nega irregularidade
A assessoria de Gonet confirmou o encontro e ressaltou que o ministro André Mendonça, do STF, afirmou durante sessão da Corte não ter encontrado ilícito envolvendo o procurador-geral. A defesa também sustenta que a fotografia não comprova proximidade inadequada e que o contato ocorreu em um evento social, sem relação com investigações em andamento.
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