Queda de galho de gameleira no Setor Oeste reacende debate sobre árvores de risco em Goiânia
A queda de um galho de grande porte na Praça da Cirrose, no Setor Oeste, sem deixar feridos, intensificou a discussão sobre a remoção de árvores com laudo de risco. O caso também impulsiona proposta que prevê responsabilização civil para quem impedir ou atrasar serviços autorizados.

Divulgação
Um galho de grande porte de uma gameleira caiu na noite de sábado (19) na Praça da Cirrose, no Setor Oeste, em Goiânia. O material atingiu uma área de circulação de pedestres, mas não houve feridos. A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) removeu o galho e liberou o local após o ocorrido.
Incidente ocorre em área de grande circulação
O episódio chamou atenção porque a praça é frequentada por moradores e transeuntes, inclusive em horários de maior movimentação. A ausência de vítimas foi tratada pelas autoridades como um desfecho favorável diante do potencial de dano, já que partes da estrutura da árvore se desprenderam em um espaço destinado ao uso público.
O local já vinha sendo alvo de mobilizações de moradores contrários à retirada de quatro gameleiras. Para a administração municipal, os exemplares passaram por avaliação ambiental e receberam laudo que indicou risco de queda. O episódio, portanto, reacendeu o impasse entre a preservação da arborização urbana e a necessidade de remover espécimes considerados inseguros.
Prefeitura defende remoção com base em laudos
O prefeito Sandro Mabel (UB) citou o ocorrido para defender a extirpação de árvores tecnicamente condenadas. Segundo ele, a intervenção busca preservar vidas e o galho poderia ter atingido pessoas que estavam próximas no momento da queda. A fala reforça a posição do município de que decisões baseadas em vistorias não devem ser interrompidas sem avaliação técnica equivalente.
O caso também evidencia um desafio recorrente nas cidades: conciliar a importância das árvores para o conforto térmico, a paisagem e a qualidade de vida com protocolos rigorosos de segurança. A transparência na divulgação dos laudos e a comunicação prévia com a comunidade tendem a ser decisivas para reduzir conflitos e aumentar a confiança nas intervenções.
Projeto prevê responsabilização civil
Diante dos impasses, a Prefeitura enviou à Câmara Municipal um projeto de lei que prevê responsabilização civil para quem bloquear ou retardar a retirada de árvores com laudo técnico contrário à manutenção. Se uma queda causar danos durante a paralisação dos trabalhos, os responsáveis pelo impedimento poderão ser cobrados judicialmente pelos prejuízos.
A proposta ainda depende de análise e votação pelos vereadores. Caso seja aprovada, poderá ampliar o debate jurídico sobre a responsabilidade de cada parte em decisões que envolvem risco público, manifestações comunitárias e intervenções determinadas pelo poder municipal.
Ventanias aumentam atenção com a arborização
A queda na Praça da Cirrose ocorre em um período de registros de danos provocados por ventanias em Goiânia. No dia 1º de setembro, árvores caíram sobre veículos no cruzamento das ruas 226 e 217, no Setor Leste Vila Nova, e no bairro Vila João Vaz. Esses incidentes também não deixaram vítimas, mas reforçaram a necessidade de inspeções preventivas.
Órgãos têm funções diferentes no manejo arbóreo
Em Goiânia, a manutenção das árvores é dividida entre diferentes órgãos. A Comurg responde por podas preventivas em canteiros centrais, praças e rotatórias, além do recolhimento emergencial de troncos e galhos caídos em vias públicas.
Cabe à Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) realizar vistorias e emitir laudos para intervenções em calçadas, parques e demais áreas públicas. Em imóveis particulares, o proprietário deve solicitar a avaliação ao órgão e, após autorização, contratar empresa especializada para executar o serviço.
Quando há galhos em contato com a rede elétrica, o atendimento deve ser solicitado diretamente à Equatorial Goiás. A poda nesse tipo de situação não pode ser feita por moradores, pois o contato com os fios representa risco de choque e acidentes graves.
Como solicitar vistoria e atendimento
Somente ao longo de 2026, a Comurg registrou mais de 150 mil podas preventivas em áreas públicas do município. Moradores que identificarem árvores ou galhos em situação de risco podem fazer pedidos pelo aplicativo Prefeitura 24h, disponível para iOS e Android, informando o endereço completo e anexando fotografias da ocorrência.
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