Rússia encerra primeira eleição parlamentar desde início da guerra
A Rússia conclui neste domingo sua primeira eleição parlamentar desde o início da guerra contra a Ucrânia, em um pleito marcado pela ausência de oposição efetiva, denúncias de irregularidades e falhas na votação eletrônica. A inclusão de regiões ucranianas anexadas por Moscou ampliou a condenação internacional, enquanto o Kremlin deve preservar o controle da Duma.

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Último dia sob forte pressão militar
A Rússia encerrou neste domingo, 20, a primeira eleição parlamentar realizada desde o início da guerra contra a Ucrânia. O último dia de votação ocorreu após as forças ucranianas lançarem mais de mil drones contra o território russo durante a madrugada, incluindo centenas deles em direção a Moscou.
O pleito foi realizado em três dias, com incentivo oficial ao voto eletrônico pela internet. As autoridades buscaram ampliar a participação entre os cerca de 111 milhões de eleitores aptos a votar no país, em uma eleição marcada pelo rígido controle político e pela ausência de uma oposição capaz de desafiar o Kremlin.
Votação alcança territórios anexados pela Rússia
Pela primeira vez, moradores de quatro regiões ucranianas anexadas ilegalmente por Moscou após o início da guerra participaram de uma eleição parlamentar russa. Esses territórios, no entanto, não estão sob controle integral das forças russas. A votação também foi realizada na Crimeia, península ucraniana tomada pela Rússia em 2014.
Kiev classificou a votação nas áreas ocupadas como ilegal e pediu que outros países não reconheçam o resultado. A União Europeia também condenou a medida, considerando-a uma violação flagrante do direito internacional.
Kremlin deve preservar controle da Duma
O Kremlin busca usar o processo eleitoral para apresentar apoio popular à guerra e dar legitimidade política à sua ofensiva. O Rússia Unida, principal partido aliado ao governo, deve manter ampla maioria na Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento. Os chamados partidos de oposição sistêmica também devem conservar suas cadeiras, embora acompanhem o governo nas principais questões nacionais.
Os eleitores escolheram representantes por duas vias. Metade das 450 cadeiras da Duma é definida pelas listas partidárias, enquanto a outra é disputada em distritos uninominais, nos quais cada eleitor vota diretamente em um candidato.
Oposição enfrenta restrições antes do pleito
O Iabloko, único partido registrado que criticou publicamente a guerra, foi retirado da disputa por listas partidárias pelo Supremo Tribunal da Rússia. A legenda conseguiu manter apenas algumas dezenas de candidatos nos distritos eleitorais. Outros políticos contrários ao conflito foram presos ou deixaram o país antes da campanha.
Iabloko e o Partido Comunista afirmaram que vários de seus observadores foram impedidos de entrar em locais de votação. A Rússia também não convidou observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, decisão criticada pela entidade como descumprimento dos compromissos assumidos por Moscou.
Partidos relatam irregularidades sem confirmação independente
As legendas opositoras denunciaram abertura de urnas lacradas, falhas na segurança dos locais de votação durante a noite e recusa na entrega de cédulas de papel. As acusações não puderam ser verificadas de forma independente.
O Iabloko informou ainda que um observador perdeu a consciência após ser detido pela polícia em São Petersburgo. Em uma seção eleitoral da parte de Donetsk controlada pela Rússia, um soldado armado permaneceu próximo aos eleitores durante a votação.
Votação eletrônica registra falhas em Moscou
Ella Pamfilova, presidente da Comissão Eleitoral Central, afirmou que o sistema de votação eletrônica de Moscou sofreu ataques cibernéticos. Ela atribuiu a ação a um partido da oposição sistêmica, sem identificá-lo. Eleitores, por sua vez, relataram problemas nos sistemas de registro e dificuldade para receber cédulas impressas.
Leonid Volkov, aliado do falecido opositor Alexei Navalny, sugeriu que as falhas podem ter direcionado parte dos eleitores para os terminais eletrônicos. Filas se formaram em várias seções, enquanto partidários do Iabloko eram incentivados a anular o voto ou registrar mensagens nas cédulas.
Oposição no exterior convoca manifestação nas urnas
A oposição russa no exílio, incluindo Yulia Navalnaya, viúva de Navalny, convocou russos contrários à guerra a votar em um horário集中 deste domingo como forma de protesto. A mobilização ocorre em um cenário de crescente repressão interna e isolamento internacional do governo de Vladimir Putin.
Os resultados preliminares devem ser divulgados poucas horas após o encerramento da votação. Independentemente dos números, a eleição deve consolidar o domínio do Kremlin sobre o Parlamento, em meio aos custos econômicos da guerra, aos ataques ucranianos com drones e ao enfraquecimento das instituições democráticas na Rússia.
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