Chile se torna o primeiro país da América do Sul a eliminar a raiva transmitida por cães
Chile recebe reconhecimento da OMS após 54 anos sem casos humanos da variante da raiva mantida por cães. Conquista resulta de vigilância, vacinação animal e atendimento preventivo.

Divulgação
Marco na saúde pública sul-americana
O Chile se tornou o primeiro país da América do Sul a eliminar de forma sustentada a transmissão da raiva mantida por cães. O reconhecimento foi confirmado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) após a análise de evidências produzidas ao longo de décadas. O país completa 54 anos sem registrar casos humanos associados a essa variante do vírus, uma conquista considerada referência para outras nações da região.
Vigilância e vacinação sustentaram a conquista
A eliminação foi alcançada por meio de políticas públicas continuadas, incluindo a vacinação de cães, o monitoramento de suspeitas, a capacidade de diagnóstico laboratorial e o atendimento rápido de pessoas expostas ao vírus. Para receber a validação internacional, o Chile precisou demonstrar que a transmissão foi interrompida e que mantém estrutura para detectar e controlar uma possível reintrodução da doença.
Doença é quase sempre fatal após o início dos sintomas
A raiva pode afetar animais domésticos e silvestres, mas os cães domésticos são responsáveis por até 99% das transmissões para seres humanos. A contaminação geralmente ocorre por mordidas, arranhões ou contato da saliva infectada com feridas e mucosas. Embora exista profilaxia pós-exposição com vacina e imunoglobulina, o tratamento precisa ser iniciado rapidamente. Depois que os sintomas aparecem, a doença é praticamente sempre fatal.
Desigualdade mantém o problema em outros países
Ainda segundo a OMS, a raiva causa cerca de 60 mil mortes por ano no mundo, sendo 95% delas registradas na Ásia e na África. As vítimas mais atingidas vivem em comunidades pobres e áreas rurais afastadas, onde o acesso a serviços veterinários e de saúde é limitado. Crianças entre 5 e 14 anos estão entre os grupos mais afetados, enquanto muitos óbitos deixam de ser notificados.
América do Sul registra avanço expressivo
Desde 1983, os casos humanos de raiva transmitida por cães nas Américas diminuíram mais de 98%. O resultado é atribuído à cooperação entre países, às campanhas de imunização animal e à adoção da estratégia de Uma Só Saúde, que integra a vigilância da saúde humana, animal e ambiental. Apesar do avanço, as autoridades precisam manter a vacinação e a fiscalização, pois a circulação do vírus em animais silvestres continua exigindo atenção permanente.
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