Osmar Stabile desiste da corrida pela presidência do Corinthians e cita estabilidade do clube
O atual presidente do Corinthians, Osmar Stabile, anunciou que não concorrerá à reeleição, justificando a decisão pela necessidade de garantir a estabilidade política da instituição. Em meio a questionamentos sobre sua elegibilidade e investigações do Ministério Público de São Paulo, Stabile prometeu focar na reorganização financeira do clube até o final de seu mandato. A eleição, marcada para 28 de novembro, terá agora cinco candidatos.

Divulgação
Osmar Stabile, presidente do Corinthians, anunciou sua desistência de disputar a reeleição para o comando do clube na eleição marcada para 28 de novembro. Em uma carta aberta divulgada na última quinta-feira, o dirigente afirmou que sua permanência na corrida presidencial "poderia interferir na estabilidade política" da instituição, optando por concentrar esforços na reorganização financeira do Alvinegro. A decisão remodela o cenário eleitoral, que agora conta com cinco candidatos.
A retirada de Stabile acontece em um período de intensa turbulência para o Corinthians, tanto nos bastidores administrativos quanto nos gramados. Além da preocupação com a estabilidade política citada na carta, o presidente vinha enfrentando sérios questionamentos sobre sua elegibilidade para o cargo, bem como sendo alvo de investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo. Esses fatores combinados criavam um ambiente de incerteza que pesou na decisão de não concorrer.
Elegibilidade: o nó do estatuto
Um dos principais pontos de atrito era a interpretação do estatuto do clube em relação ao tempo de permanência na presidência. Stabile assumiu interinamente em 26 de maio de 2025, após o afastamento cautelar do então presidente Augusto Melo, cujo impeachment foi confirmado em agosto do mesmo ano. Em 25 de agosto de 2025, Stabile foi eleito pelo Conselho Deliberativo para concluir o mandato, que se encerra em dezembro de 2026. A regra estatutária proíbe a reeleição consecutiva, mas abre uma exceção para dirigentes eleitos para preencher uma vacância por período inferior a 18 meses. A divergência crucial estava em qual data iniciar a contagem desses 18 meses: se a posse interina, em maio, ou a eleição pelo Conselho, em agosto. Caso a posse interina fosse considerada, os 18 meses seriam completados apenas dois dias antes da eleição, tornando sua candidatura inviável.
Investigações do Ministério Público
Paralelamente às questões estatutárias, Stabile e o próprio Corinthians estão sob o escrutínio do Ministério Público de São Paulo em diversas frentes. Na esfera criminal, o dirigente foi denunciado por apropriação indébita, relacionado à contratação da empresa Bear Security para sua segurança particular, utilizando recursos do clube. A acusação aponta que a empresa não possuía autorização da Polícia Federal para atuar. Outra apuração envolve a contratação da Mega Assessoria Operacional, registrada em nome de um funcionário do clube, com pagamentos que somam R$ 676,6 mil. Tais contratações, entre outras, motivaram até mesmo um pedido de impeachment contra Stabile em junho. Há ainda um inquérito que trata de pagamentos de R$ 6,9 milhões à empresa do programa Fiel da Sorte e um inquérito civil que pode levar a um pedido de intervenção judicial no clube.
Foco na reestruturação financeira
Em sua carta de renúncia à candidatura, Osmar Stabile enfatizou seu compromisso em focar os esforços restantes de seu mandato na reorganização financeira do Corinthians. Ele destacou a importância de avançar em questões estratégicas, como a "importante negociação em andamento com a Caixa Econômica Federal", um ponto crucial para a saúde financeira do clube. O presidente prometeu concluir o ciclo com o objetivo de recuperar a credibilidade da instituição, organizar as contas e fortalecer os processos administrativos, deixando uma base para a próxima gestão.
Cenário eleitoral e crise esportiva
Com a saída de Stabile da disputa, a eleição presidencial do Corinthians, em 28 de novembro, terá cinco candidatos buscando o comando do clube no triênio 2027-2029: André Castro, Ilmar Schiavenato, José Augusto Mendes, Rozallah Santoro e Sergio Janikian. A disputa acontece em um dos momentos mais delicados para o Alvinegro, que vive uma profunda instabilidade esportiva, com eliminações precoces na Copa Libertadores e na Copa do Brasil, além de uma sequência de oito derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro. Stabile expressou a esperança de que o próximo presidente dê continuidade ao trabalho de reestruturação, encerrando seu ciclo com a "consciência tranquila".
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.







