Rafael Guarato defende investimento e representação política para a cultura
Durante a primeira edição da Arte Pensante, em Goiânia, o professor da UFG destacou a instabilidade enfrentada por artistas e cobrou financiamento permanente, benefícios fiscais e maior representação do setor cultural no Legislativo.

Divulgação
A primeira edição da Arte Pensante, realizada na Galeria Aberta – Elysium Sociedade Cultural, no Setor Sul, em Goiânia, reuniu debates sobre políticas públicas para o setor artístico. Um dos participantes foi Rafael Guarato, historiador da dança, professor dos cursos de graduação em Dança e de pós-graduação em Artes da Cena da UFG e diretor artístico do Grupo Três em Cena.
Continuidade artística depende de estrutura
Guarato relatou que começou na cena do break dance, mas precisou trabalhar com outras linguagens e também com o ensino para conseguir se manter profissionalmente. Para ele, essa adaptação revela uma realidade comum entre artistas: o talento e a qualificação não são suficientes quando faltam financiamento, planejamento e condições de continuidade.
O professor citou o caso da Quasar Cia. de Dança, companhia goiana reconhecida nacionalmente, que enfrentou risco de encerramento após 28 anos de atividade por falta de recursos. A situação foi usada como exemplo dos efeitos da instabilidade sobre grupos consolidados e sobre novas gerações que buscam transformar a produção cultural em profissão.
Plano pronto e financiamento sem garantia
Guarato lembrou que participou da construção do Plano Nacional para a Dança, documento que definiu caminhos para o setor, mas não teve sua execução plenamente garantida. Na avaliação do professor, a existência de planos e diagnósticos não resolve o problema se não houver compromisso institucional para transformá-los em ações permanentes.
Entre as medidas defendidas está a criação de mecanismos específicos de incentivo e isenção fiscal para desonerar a cadeia produtiva da cultura. Guarato comparou a necessidade de apoio ao setor cultural com os investimentos e benefícios historicamente destinados a áreas como a automobilística e a agropecuária, defendendo tratamento equivalente para uma atividade que também gera emprego, renda e desenvolvimento.
O professor também destacou a necessidade de ampliar a representação política dos trabalhadores da cultura. Para Guarato, o setor precisa se organizar coletivamente, formular propostas legislativas e eleger representantes comprometidos com a pauta, inclusive nas câmaras municipais. O objetivo, segundo ele, é consolidar fontes de financiamento capazes de sustentar políticas culturais nas próximas gerações.
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