Arte Pensante: Lari Mundim critica descontinuidade de políticas públicas para a cultura
Durante a 1ª edição do Arte Pensante, em Goiânia, a escritora e jornalista Lari Mundim defendeu a continuidade das políticas culturais e alertou para o desperdício causado pela interrupção de projetos públicos. Ela também destacou os desafios da literatura e a necessidade de formar leitores.

Divulgação
Lari Mundim defende continuidade das políticas culturais
A escritora, editora, livreira e jornalista Lari Mundim participou da 1ª edição do Arte Pensante, roda de conversa dedicada a discutir políticas públicas para o setor artístico. O encontro ocorreu na Galeria Aberta – Elysium Sociedade Cultural, no Setor Sul, em Goiânia, e reuniu reflexões sobre os desafios estruturais enfrentados por artistas, produtores e trabalhadores da cultura.
Para Lari, a cultura ocupa um território estratégico porque influencia comportamentos, fortalece identidades e amplia o acesso ao conhecimento. Segundo ela, arte e política são indissociáveis, e a vulnerabilidade do setor está diretamente relacionada ao poder de transformação social exercido pelas manifestações culturais.
A descontinuidade de políticas públicas foi apontada como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento cultural. Lari criticou o ciclo em que projetos recebem investimentos, são interrompidos e depois retomados em novas plataformas, sem aproveitar a experiência e os resultados já construídos. Na avaliação da escritora, esse movimento desperdiça recursos públicos e obriga o setor a “reinventar a roda” a cada mudança administrativa.
Literatura exige formação de leitores e diálogo com gestores
Lari também destacou a importância de profissionais da cultura dialogarem com gestores públicos para explicar por que determinadas ações são necessárias e como podem ser executadas. Para ela, esse acompanhamento ajuda a dar consistência aos programas culturais e reduz o risco de iniciativas importantes serem abandonadas ou tratadas como novidades a cada novo ciclo.
O cenário da literatura apresenta desafios adicionais. Dados sobre leitura no país mostram dificuldades de acesso aos livros e de compreensão de textos por parte da população. Essas barreiras reforçam a necessidade de políticas permanentes de estímulo à leitura, formação de leitores e incentivo à produção editorial.
Apesar dos obstáculos, Lari vê nessas dificuldades uma confirmação da relevância do trabalho desenvolvido no campo cultural. A formação de leitores, segundo ela, está na base do mercado editorial e da valorização da arte da palavra. O debate do Arte Pensante reforçou, assim, a necessidade de planejamento, continuidade e participação social nas políticas culturais.
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