Arte Pensante debate falta de diálogo construtivo para a cultura em Goiás
Encontro realizado em Goiânia reuniu artistas e gestores culturais para discutir políticas públicas, centralização de recursos e os desafios do setor diante do cenário político.

Divulgação
Encontro reúne artistas e gestores em Goiânia
A primeira edição do Arte Pensante, roda de conversa dedicada às políticas para o setor artístico, foi realizada na quinta-feira (17), na Galeria Aberta, espaço da Elysium Sociedade Cultural, no Setor Sul, em Goiânia. O evento reuniu nove artistas e gestores culturais que atuam em diferentes segmentos e discutiu os principais desafios enfrentados pela produção artística goiana.
Debate precisa avançar para propostas concretas
Durante a conversa, Wolney Unes, professor titular da Universidade Federal de Goiás (UFG) e diretor da Elysium Sociedade Cultural, criticou a dificuldade de construir discussões mais objetivas sobre cultura. Para ele, o debate público permanece preso a pautas de costumes e não avança para questões materiais, como financiamento, formação de público, circulação de obras e sustentabilidade das atividades culturais.
Unes avaliou que essa limitação prejudica a capacidade do setor de apresentar demandas organizadas ao poder público. Na avaliação do professor, políticas culturais eficazes dependem de planejamento, continuidade e participação dos próprios trabalhadores da área na formulação das ações governamentais.
Cultura pode ser área sensível no novo cenário político
O professor também manifestou preocupação com os reflexos das eleições sobre a cultura, tanto no âmbito federal quanto no estadual. Segundo ele, o setor está na berlinda e pode figurar entre os mais afetados por mudanças de prioridade, cortes orçamentários ou descontinuidade de programas já existentes.
Recursos ainda concentram-se no eixo Rio-São Paulo
Outro ponto destacado foi a concentração de incentivos federais no eixo Rio-São Paulo. Unes criticou a lógica que desconsidera a produção cultural de outras regiões do país, especialmente do Centro-Oeste, e reforçou que a distância dos grandes centros não corresponde à ausência de qualidade ou competência artística.
Apesar do cenário considerado preocupante, o professor defendeu a realização de encontros como o Arte Pensante para fortalecer a articulação do setor. Para Unes, a organização de uma pauta comum e de reivindicações claras é fundamental para que artistas e gestores culturais ocupem espaço nas decisões públicas e ampliem o reconhecimento da produção goiana.
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