Pedro Novaes defende políticas culturais para a arte e a indústria do audiovisual
Encontro em Goiânia reuniu artistas e gestores para discutir políticas culturais, os desafios do audiovisual e a necessidade de fortalecer a produção fora do eixo Rio-SP.

Divulgação
A primeira edição do Arte Pensante – Roda de Conversa sobre Políticas para o Setor Artístico ocorreu nesta quinta-feira (17 de setembro), na Galeria Aberta, espaço da Elysium Sociedade Cultural, no Setor Sul, em Goiânia. Promovido pelo jornal A Redação, o encontro reuniu nove gestores culturais e artistas de diferentes áreas para discutir os desafios da criação, da produção e da manutenção de políticas públicas voltadas à cultura.
Audiovisual entre arte e indústria
Entre os participantes, o cineasta e cientista ambiental Pedro Novaes destacou a complexidade específica do audiovisual. Para ele, o setor vive um conflito permanente entre a expressão artística e a lógica industrial, pois depende de investimentos elevados e de uma cadeia de produção formada por profissionais, equipamentos, tecnologias e etapas que vão da concepção à distribuição.
“O audiovisual tem uma questão específica, que é o conflito de base entre ser arte e ser indústria”, afirmou Novaes. Segundo o cineasta, essa tensão acaba influenciando o desenho das políticas públicas e pode deixar sem atendimento adequado tanto produções experimentais quanto obras com maior potencial comercial. O desafio, portanto, não se limita a garantir editais, mas exige compreender as diferentes escalas e finalidades de cada obra.
Politização e concentração da pauta
Novaes também avaliou o cenário político brasileiro e lamentou que a polarização e a sucessão de escândalos dominem o debate público. Na visão do cineasta, essa concentração imobiliza discussões consideradas estruturais, inclusive aquelas relacionadas à cultura. Ele afirmou ainda sentir que o engajamento político de artistas pode se voltar contra a própria categoria quando a produção cultural passa a ser lida quase exclusivamente por uma chave partidária.
Crítica ao eixo Rio-SP
Outro ponto destacado foi o que Novaes chamou de “sudestinismo” da arte brasileira. Ao criticar a predominância do eixo Rio-SP na definição de tendências, mercados e referências, ele apontou uma fratura no setor cultural do país. Essa concentração, segundo ele, reduz a visibilidade de outras realidades e dificulta a formação de uma representação mais ampla e diversa do Brasil.
Para enfrentar esse quadro, o cineasta defendeu maior atuação das produções e dos gestores culturais de outras regiões. “Temos que ser mais agressivos no enfrentamento dessa barreira e existem brechas para a gente fazer isso”, avaliou. A fala reforça a necessidade de ampliar circuitos de exibição, distribuição e financiamento, permitindo que obras produzidas em Goiás e em outras localidades alcancem públicos além de seus mercados locais.
Debate aponta caminhos para o setor
A roda de conversa colocou em evidência uma demanda crescente por políticas culturais capazes de reconhecer a diversidade do setor artístico. Para o audiovisual, isso significa conciliar preservação da liberdade criativa com apoio à profissionalização, à circulação de obras e ao desenvolvimento de cadeias produtivas regionais. O encontro em Goiânia mostrou que a cultura precisa ser tratada como expressão artística, atividade econômica e instrumento de representação das diferentes identidades brasileiras.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








