Prévia do PIB mostra perda de ritmo antes de decisão sobre a Selic
O IBC-Br recuou 0,22% em julho, pelo segundo mês consecutivo, e reforçou a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na Selic. Inflação em desaceleração favorece a redução dos juros, mas riscos fiscais e externos podem limitar novos avanços.

Divulgação
A prévia do Produto Interno Bruto (PIB) apontou nova retração da atividade econômica brasileira em julho. O IBC-Br, indicador do Banco Central usado como antecipação do desempenho da economia, recuou 0,22% na comparação mensal com ajuste sazonal. Foi o segundo resultado negativo consecutivo, depois da queda de 0,64% registrada em junho.
Atividade perde força no início do 3º trimestre
O resultado confirma a perda de dinamismo da economia no começo do 3º trimestre. Ainda assim, os dados não indicam uma reversão completa do ciclo de expansão: na comparação com julho de 2025, o IBC-Br avançou 1,14%, e o crescimento acumulado em 12 meses ficou próximo de 1,5%.
A composição do indicador mostra que a desaceleração foi ampla. A agropecuária recuou 1,15%, a indústria caiu 0,40% e os serviços praticamente não variaram, com queda de 0,01%. Os impostos relacionados ao PIB também diminuíram 0,16%, reforçando o quadro de menor impulso da atividade.
Para economistas de mercado, a sequência de resultados negativos sugere que o PIB deve crescer perto da estabilidade no 3º trimestre. A Genial Investimentos projeta alta de apenas 0,1% no período e crescimento de 1,7% da economia em 2026. A avaliação é de arrefecimento, mas não de colapso da atividade.
Dados reforçam expectativa de corte da Selic
O cenário aumenta a relevância da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta quarta-feira (16 de setembro). O mercado espera uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que passaria de 14% para 13,75% ao ano.
A atividade mais fraca chega em um momento de desaceleração da inflação. O IPCA recuou 0,32% em agosto, e o índice acumulado em 12 meses caiu para 4,22%. A combinação entre menor pressão de demanda e preços em ritmo mais moderado abre espaço para a continuidade do ciclo de redução dos juros.
Inflação e riscos externos ainda pedem cautela
Apesar do ambiente favorável ao corte, a trajetória da Selic após a reunião continua incerta. Expectativas de inflação acima da meta, riscos no cenário fiscal e instabilidades externas podem limitar a velocidade dos próximos alívios monetários.
Economistas destacam ainda a possibilidade de um El Niño mais intenso e a evolução do conflito no Oriente Médio como fatores capazes de pressionar preços. Outro ponto de atenção é o descasamento entre as políticas monetária e fiscal, que pode reduzir a eficácia do ciclo de aperto e dificultar o controle inflacionário.
O IBC-Br ainda permanece próximo dos níveis mais elevados de sua série histórica, o que mostra alguma resistência da economia. O desafio do Copom será equilibrar a perda recente de ritmo com uma inflação que caiu, mas ainda exige monitoramento.
A decisão sobre a Selic será divulgada nesta quarta-feira, a partir das 18h30. Mais importante do que o corte esperado será o sinal deixado pelo colegiado sobre uma possível pausa ou a continuidade das reduções nas próximas reuniões.
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