PIB da Argentina recua 0,6% no 2º trimestre, mas acumula alta de 2,2% no semestre
A economia argentina registrou queda trimestral de 0,6%, mas avançou 2,0% na comparação anual e 2,2% no primeiro semestre. Exportações e setores primários sustentaram o crescimento, enquanto consumo e investimento mostraram fraqueza.

Divulgação
A economia argentina apresentou sinais mistos no 2º trimestre de 2026. O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,6% em relação ao trimestre anterior, na série com ajuste sazonal, mas avançou 2,0% na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado do primeiro semestre, a atividade econômica cresceu 2,2%.
Os dados divulgados pelo Indec, instituto oficial de estatísticas da Argentina, mostram uma expansão sustentada principalmente pelo comércio exterior e por atividades primárias. Ao mesmo tempo, a queda do consumo público e a forte retração do investimento indicam que a recuperação ainda enfrenta resistência na demanda interna.
Exportações sustentam o crescimento anual
As exportações reais de bens e serviços avançaram 13,7% na comparação interanual e 2,5% frente ao 1º trimestre. Esse desempenho ajudou a compensar a redução das importações, que caíram 8,6% no ano e 3,5% na comparação trimestral.
O resultado revela que o setor externo voltou a funcionar como um dos principais motores da atividade econômica argentina. A combinação entre exportações mais altas e importações menores contribuiu positivamente para o PIB, embora também reflita a fragilidade do mercado interno e da capacidade de investimento.
Agro, mineração e energia lideram a atividade
Entre os setores que mais cresceram no período, destacaram-se pesca, mineração, petróleo e gás, além da agricultura, pecuária, caça e silvicultura. A pesca avançou 44,7% no ano, enquanto mineração, petróleo e gás subiram 16,4%, registrando a maior contribuição positiva entre as atividades analisadas.
O complexo agropecuário também teve desempenho relevante, com alta de 6,9% na comparação interanual. Eletricidade, gás e água cresceram 5,0%, e intermediação financeira avançou 4,8%. Hotéis, restaurantes, transportes e comunicações registraram expansão de 1,6%, enquanto a construção ficou praticamente estável, com alta de 0,2%.
Consumo interno permanece fraco
O consumo privado cresceu apenas 0,4% no ano e recuou 2,4% em relação ao trimestre anterior. O consumo público apresentou movimento ainda mais negativo, com queda de 4,1% na comparação anual e de 2,3% na trimestral.
A indústria manufatureira também fechou o período em terreno negativo, com retração de 2,1%. Serviços comunitários, sociais e pessoais recuaram 0,9%, enquanto a administração pública e defesa caíram 1,4%. Esses resultados apontam para uma recuperação desigual entre os setores produtivos.
Investimento registra queda expressiva
A Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que mede investimentos em máquinas, equipamentos, veículos e construções, diminuiu 11,1% no ano e 0,8% ante o trimestre anterior. O resultado é considerado um dos pontos mais preocupantes do levantamento, pois sinaliza cautela das empresas e menor dinamismo produtivo.
Os equipamentos de transporte recuaram 22,1%, com queda de 20,4% nos produtos nacionais e de 24,9% nos importados. Máquinas e equipamentos caíram 15,2%, enquanto outras construções registraram retração de 8,2%. A construção tradicional ficou praticamente estável, com queda de apenas 0,1%.
Apesar do avanço acumulado no semestre, a contração trimestral mostra que a economia argentina segue em ritmo moderado. O desafio para os próximos meses será transformar o bom desempenho das exportações em ganhos mais consistentes para o consumo, a indústria e o investimento interno.
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