Mercado de cannabis medicinal no Brasil pode atingir R$ 1,2 bilhão em 2026
Estimativas apontam para um crescimento expressivo no setor, impulsionado pela tecnologia e pela busca por alternativas terapêuticas. CEO da blis detalha projeções e desafios.

Divulgação
O mercado brasileiro de cannabis medicinal está posicionado para alcançar um faturamento entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão já em 2026. A projeção é do CEO da blis, Toninho Corrêa, plataforma que atua na conexão entre médicos, pacientes e importadoras de produtos à base de cannabis. O setor, que encerrou 2025 com cerca de R$ 950 milhões, ainda é considerado subdimensionado por Corrêa, que aponta o alto custo dos tratamentos, a complexidade regulatória e a dificuldade em consolidar a cannabis como uma opção terapêutica viável como principais entraves para seu pleno desenvolvimento.
Potencial de crescimento e expansão da produção nacional
A visão de Toninho Corrêa é otimista quanto ao futuro do setor. Ele estima que o mercado possa atingir a marca de R$ 14 bilhões até 2030, considerando tanto possíveis alterações no quadro regulatório quanto um avanço na produção nacional de cannabis medicinal. O executivo acredita que este valor pode ser ainda mais expressivo caso a substância deixe de ser vista unicamente como uma alternativa para pacientes com quadros refratários e passe a ocupar um espaço consolidado em nichos terapêuticos específicos, como o tratamento de distúrbios do sono.
Tecnologia como aliada na organização da cadeia produtiva
O aplicativo blis, que já conta com mais de 1 milhão de downloads e atende pacientes em mais de 2.400 cidades brasileiras, tem a tecnologia como seu principal pilar. A plataforma se propõe a organizar a complexa cadeia que envolve médicos prescritores, importadores, fabricantes, farmácias e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Corrêa explica que a blis busca simplificar a jornada do paciente, que muitas vezes se vê diante de um cenário burocrático fragmentado, conectando os diversos agentes de forma segura e eficiente, o que tem contribuído para a rápida expansão da plataforma.
Perfil do usuário e desafios regulatórios
Um dado relevante destacado pelo CEO é que 80% dos usuários da blis estão localizados fora dos grandes centros urbanos, desmistificando a ideia de que o acesso a esses tratamentos se restringe às capitais. O perfil predominante é de pessoas entre 35 e 50 anos, com poder aquisitivo mais elevado, e o custo mensal de um tratamento varia entre R$ 350 e R$ 400. Corrêa também enfatiza a importância de distinguir claramente o uso medicinal do recreativo, argumentando que a confusão entre os dois é um dos principais obstáculos para o avanço do mercado medicinal no país. Ele se posiciona contra a ampliação para o uso recreativo, focando na consolidação do potencial terapêutico.
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