Consumo de café no Brasil volta a crescer e reverte queda com preços mais acessíveis
O mercado brasileiro de café registrou uma notável recuperação nos primeiros oito meses de 2026, com um aumento de 2,29% nas vendas no varejo. Essa alta é impulsionada pela redução dos preços aos consumidores, revertendo a tendência de queda observada no ano anterior e trazendo alívio para toda a cadeia produtiva e comercial do grão.

Divulgação
Uma boa notícia para os amantes do café e para toda a cadeia produtiva: o consumo da bebida no Brasil voltou a registrar um crescimento significativo. Dados recentes apontam que, nos primeiros oito meses de 2026, de janeiro a agosto, as vendas no varejo brasileiro subiram 2,29% em comparação com o mesmo período de 2025. Ao todo, aproximadamente 13,69 milhões de sacas foram comercializadas, um volume superior aos 13,38 milhões de sacas do ano anterior. Essa recuperação representa um alívio considerável para o setor, especialmente porque reverte, em parte, a queda de 5,4% no consumo que havia sido observada em 2025.
Preços mais baixos impulsionam a demanda
O principal motor por trás dessa alta é a redução dos preços do café para o consumidor final. A recuperação foi particularmente notável no segundo quadrimestre do ano, que acumulou um salto de 4,65% nas vendas, totalizando cerca de 7 milhões de sacas e consolidando uma tendência que se mostrava mais discreta nos primeiros meses. Especialistas do mercado explicam que, desde o início do ano, com a expectativa de uma safra robusta, as cotações tanto do café arábica quanto do conilon robusta apresentaram queda. Naturalmente, essa redução nos custos de matéria-prima foi repassada pelas indústrias ao varejo, tornando o produto mais acessível nos supermercados e cafeterias.
Impacto direto no bolso do consumidor
A diminuição dos preços foi percebida em todas as categorias de café, beneficiando diretamente o bolso do brasileiro. O destaque ficou para o café tradicional/extraforte, que viu seu preço médio despencar 21,22%, passando de R$ 62,83 para R$ 49,50 por quilo. O café solúvel também apresentou uma queda expressiva de 19,31%, com o quilo custando agora R$ 203,64, frente aos R$ 252,36 anteriores. Além da melhora nos preços, o abastecimento das variedades arábica e canéfora também se normalizou. Após um período de “oferta seletiva”, o mercado entrou em maio de 2026 em uma fase de “normalidade”, garantindo maior disponibilidade do produto.
Cenário anterior e perspectivas futuras
É importante lembrar que 2025 marcou o primeiro declínio anual no consumo desde 2022, impactado pela alta dos preços e por desafios na oferta global. Contudo, apesar da diminuição nas vendas daquele ano, a indústria de café torrado — que compreende cerca de 1.050 empresas no Brasil — conseguiu um faturamento impressionante de R$ 46,24 bilhões em 2025, um aumento de 25,6% em relação a 2024. Para o período atual, o maior crescimento nas vendas em 2026 ocorreu em julho, com alta de 5,8% em comparação ao mês anterior, seguindo uma tendência histórica de maior consumo durante o inverno. Embora o cenário seja de otimismo, o setor se mantém cauteloso diante da influência de fenômenos climáticos como o El Niño, que pode exigir ajustes no último quadrimestre, mas a expectativa geral é de crescimento contínuo das vendas.
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