Global X pede cautela do Ministério da Saúde em licitação de insulina
Farmacêutica sugere aguardar análise da Anvisa para novos registros antes de restringir participação de empresas sem selo na próxima licitação para o SUS, visando maior concorrência e economia.

Divulgação
A Global X, empresa responsável pelo fornecimento de canetas reutilizáveis para aplicação de insulina ao Sistema Único de Saúde (SUS), manifestou a necessidade de o Ministério da Saúde aguardar a conclusão das análises de pedidos de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes de implementar restrições a empresas sem registro na próxima licitação. A nova regra, anunciada em abril de 2026, prevê a exclusão de tais companhias do pregão, que deve ser publicado ainda neste mês.
Aguardando análise da Anvisa para garantir concorrência
Freddy Rabbat Neto, CEO da Global X, ressaltou que a crítica da empresa não recai sobre a exigência de registro na Anvisa, mas sim sobre o momento da aplicação dessa norma no edital da licitação. Segundo ele, a realização do pregão no formato proposto pode levar a uma concentração do mercado, reacendendo a dependência de poucos fornecedores e, consequentemente, elevando os custos para o SUS. Rabbat Neto acredita que, ao postergar o edital para após a avaliação dos registros pendentes na Anvisa, tanto da Global X quanto de outras empresas, seria possível gerar uma economia significativa para os cofres públicos.
Impacto da concorrência no preço e abastecimento
A farmacêutica defende que a conclusão dos processos em análise na agência reguladora seja um pré-requisito para a entrada em vigor da obrigatoriedade de registro. A própria Global X protocolou um pedido de registro em fevereiro de 2026, que ainda está sob avaliação. Ao aguardar a finalização dessas análises pela Anvisa, Rabbat afirma que a futura licitação ocorrerá em um ambiente de maior competitividade, com um número ampliado de fornecedores devidamente registrados. Essa cenário, segundo o CEO, tende a resultar em preços mais acessíveis e em uma maior segurança no abastecimento contínuo de insulina para o SUS. Ele também assegurou que o fornecimento atual está garantido até janeiro de 2027, desmistificando a urgência na antecipação do edital por receio de desabastecimento.
Histórico de entrada emergencial e economia gerada
A Global X iniciou seu fornecimento de insulina ao SUS em 2023, em caráter de compra emergencial, para suprir falhas pontuais de estoque. A empresa respondeu prontamente à demanda, pois já vinha estudando o mercado de insulinas desde 2021 ou 2022, período em que elaborou estudos e buscou parcerias para o registro do produto. A entrada de novos concorrentes, viabilizada pelo processo emergencial, provocou uma redução de 50% no preço da insulina em comparação ao contrato anterior, que contava com um único fornecedor, gerando uma economia aproximada de R$ 1 bilhão aos cofres públicos. A Anvisa informou que há 16 processos de insulina em análise, sendo 10 de insulina humana, e que a ordem de chegada e regras de priorização determinam o andamento. O Ministério da Saúde, por sua vez, reafirmou que todas as suas aquisições seguem a legislação vigente e que medidas foram tomadas para garantir o fornecimento ininterrupto de insulina no SUS, inclusive com a solicitação de prioridade na análise de registros para ampliar as opções no mercado nacional.
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