iFood apoia regulamentação do trabalho por aplicativo, mas alerta para risco de custos maiores ao consumidor
A iFood, uma das maiores plataformas de delivery do país, manifestou apoio à regulamentação do trabalho por aplicativos, mas seu vice-presidente jurídico, Lucas Piottini, advertiu sobre a possibilidade de repasse de custos aos consumidores. A empresa também formalizou uma denúncia no Cade contra a concorrente Keeta, acusando-a de práticas predatórias que desequilibram o mercado, enquanto a Keeta respondeu classificando a ação como uma estratégia monopolista.

Divulgação
O cenário de trabalho por aplicativos no Brasil tem sido palco de intensos debates sobre regulamentação, e a iFood, uma das maiores plataformas de delivery do país, se posicionou de forma clara. Lucas Piottini, vice-presidente jurídico da empresa, declarou que o iFood é favorável à criação de normas para o setor, mas com uma ressalva importante: existe o risco de que a regulamentação resulte em um aumento dos custos para os pedidos, impactando diretamente o bolso dos consumidores.
Piottini enfatizou que, embora a intenção seja absorver ao máximo os novos custos advindos da regulamentação, a imprevisibilidade sobre as regras finais, alíquotas e o desenho completo da legislação impede que um repasse de custos para o setor como um todo seja descartado. Para o executivo, qualquer regulamentação precisa reconhecer pilares fundamentais dessa nova forma de trabalho, como a autonomia e a flexibilidade dos trabalhadores, além de estabelecer regras claras para a remuneração, sugerindo o salário mínimo como referência para os pisos do setor. Piottini ainda reforçou o potencial do delivery em levar refeições acessíveis a um público mais amplo, incluindo as classes C e D.
iFood denuncia Keeta por práticas predatórias no Cade
Além da discussão sobre regulamentação, o iFood tem se movimentado ativamente no que diz respeito à dinâmica competitiva do mercado. A empresa protocolou uma representação formal no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a Keeta, alegando “práticas predatórias” no mercado brasileiro. Segundo Piottini, a preocupação reside em uma competição que não se baseia no mérito, mas sim na capacidade de "bolso mais fundo", referindo-se ao uso de cupons e bonificações transitórias que, segundo o iFood, não são sustentáveis a longo prazo.
Essa estratégia, conforme a iFood, levaria à saída de concorrentes com menor poder financeiro, e, subsequentemente, à racionalização dos investimentos. Isso implicaria no fim dos descontos para consumidores e restaurantes, além da interrupção dos pagamentos bonificados aos entregadores, resultando em um mercado menos competitivo e com condições piores para todos no futuro. Lucas Piottini reforçou que a inspiração tecnológica da empresa vem da China, país que é uma fonte enorme de inovação, mas que o foco e o compromisso do iFood seguem firmes com o mercado brasileiro, que ainda apresenta muitas oportunidades.
Resposta da Keeta acusa iFood de monopólio
Em resposta às acusações, a Keeta emitiu uma nota, classificando a ação do iFood como uma "estratégia da plataforma monopolista para manter sua posição dominante no setor". Com uma participação de mercado estimada em cerca de 80% no Brasil, a Keeta argumenta que o iFood estaria tentando bloquear a entrada de novas empresas que trazem tecnologia de ponta e experiência global. A empresa defende que o setor brasileiro de entrega de comida necessita urgentemente de decisões que promovam um mercado mais competitivo e justo, indicando que a disputa vai além das mesas de negociação e se estende aos órgãos reguladores e ao debate público sobre a saúde da concorrência no delivery.
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