Importadores alertam para risco de falta de diesel com preço defasado
Compras externas recuam enquanto importadores aguardam a regulamentação de novo subsídio e avaliam a inviabilidade de competir com o preço praticado pela Petrobras.

Divulgação
Importadores de combustíveis alertam para o risco de desabastecimento de diesel em um período de crescimento sazonal da demanda. A comercialização do produto importado tornou-se inviável diante do preço cobrado pela Petrobras às distribuidoras, enquanto o mercado internacional registra cotações elevadas e instáveis.
Preço interno cria impasse para importadores
A Abicom informa que o diesel vendido pela estatal nas refinarias está cotado a R$ 3,49 por litro, valor inferior à metade da cotação internacional. A diferença chega a 107% quando considerada a comparação com o combustível disponível no exterior, antes dos custos de distribuição e revenda. Essa defasagem desestimula novas operações privadas e reduz a entrada de cargas importadas no País.
O presidente da associação, Sergio Araújo, avalia que os importadores entraram em compasso de espera. A tendência é que as compras externas permaneçam reduzidas até que o Ministério da Fazenda regulamente o novo incentivo previsto pelo governo federal. Para as empresas privadas, cada litro pode representar uma diferença relevante na formação do preço final.
Subsídio depende de portaria
A Medida Provisória 1.391, editada em 11 de setembro de 2026, prevê um incentivo adicional de R$ 1 por litro. O benefício, porém, ainda depende de uma portaria do Ministério da Fazenda para ser colocado em prática. Enquanto a regra não é detalhada, importadores preferem adiar operações que poderiam se tornar menos competitivas após a concessão do incentivo.
Desde 1º de junho, já vigorava uma subvenção de R$ 1,12 por litro. O novo benefício poderia ser somado ao anterior até 26 de setembro, quando vence a Medida Provisória 1.336. Se for aprovado pelo Congresso, o programa poderá permanecer válido até o fim de 2026, embora os trabalhos legislativos estejam reduzidos por causa das eleições.
Importações recuam antes da safra
Dados do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, mostram queda de 11,4% nas importações de diesel entre janeiro e agosto de 2026. O volume passou de 9,11 milhões de toneladas no mesmo período de 2025 para 8,07 milhões de toneladas. Em agosto, a redução foi de 6,3%, enquanto a estimativa de volume ficou cerca de 18% abaixo da registrada em julho.
O recuo ocorre no início do plantio da safra de verão, especialmente de soja e milho. O aumento do uso de tratores, colheitadeiras e caminhões eleva o consumo nas lavouras e nas rodovias. Como o Brasil importa mais de 25% do diesel consumido, uma interrupção prolongada das compras externas pode ampliar a dependência do abastecimento interno e pressionar a disponibilidade do combustível.
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