Haddad critica contratos da Sabesp, Cptm e pedágios free flow em SP
Candidato do PT ao governo de São Paulo promete revisar concessões e privatizações, avaliar multas e eventual judicialização, enquanto o governo estadual defende os contratos e cita investimentos e resultados.

Divulgação
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, classificou como “mal feitos” os contratos relacionados à Sabesp, aos pedágios free flow e à concessão de serviços da CPTM. Em entrevista ao vivo ao programa SP1, nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2026, o petista afirmou que, se eleito, determinará uma revisão técnica dos acordos e avaliará a renegociação de cláusulas, a aplicação de multas e, em casos extremos, a judicialização.
Haddad promete revisão técnica dos contratos
Haddad disse que pretende adotar metodologia semelhante à usada durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda. Como exemplo, citou uma revisão contratual envolvendo a Vale, que, segundo o candidato, resultou na recuperação de R$ 4 bilhões para os cofres públicos. A proposta prevê a criação de uma equipe dedicada a examinar a estrutura econômica, as obrigações das concessionárias e os mecanismos de reajuste.
Na avaliação do candidato, a revisão não significa necessariamente romper os contratos, mas corrigir distorções e garantir que eventuais descumprimentos sejam punidos. A iniciativa pode se tornar um dos principais pontos de confronto com o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que defende o atual modelo de concessões e privatizações.
Críticas à Sabesp e cautela sobre tarifas
Ao tratar da Sabesp, Haddad criticou o aumento das tarifas e o crescimento das reclamações registradas no Procon. “Isso aqui não está certo. Vocês estão oferecendo um serviço mais caro e pior quando fornecem água”, afirmou. O candidato questionou a qualidade do atendimento e disse que uma empresa que sempre prestou serviço público não pode entregar resultados considerados insuficientes à população.
Questionado se determinaria a redução imediata das contas de água, Haddad não assumiu esse compromisso. Ele afirmou que qualquer mudança nas tarifas dependerá da análise das cláusulas de reajuste e da estrutura econômico-financeira do contrato de privatização.
CPTM e free flow no centro do debate
Haddad também criticou a concessão de serviços da CPTM. Segundo ele, houve aumento de 27% nas falhas após a transferência da operação para a iniciativa privada. O candidato não detalhou, durante a entrevista, a base técnica usada para calcular esse crescimento, mas apresentou o número como sinal de deterioração na prestação do serviço.
Sobre os pedágios free flow, Haddad afirmou que o governador Tarcísio de Freitas adiou a implementação para 1º de janeiro de 2027 para evitar desgaste no período eleitoral. Na visão do petista, a mudança de cronograma pode gerar novas despesas ao Estado, inclusive possíveis indenizações às concessionárias por descumprimento contratual.
O candidato disse ainda que o governo estadual pagou aproximadamente R$ 7 bilhões em indenizações a concessionárias. Desse total, R$ 3,5 bilhões teriam sido destinados ao Metrô e cerca de R$ 2,5 bilhões a compensações relacionadas à queda na arrecadação de pedágios durante a pandemia.
Caixa do Estado sustenta promessa de ajuste
Haddad afirmou que São Paulo dispõe de caixa suficiente para apenas uma semana e que a reserva estadual caiu de R$ 23 bilhões para R$ 5 bilhões. Por isso, disse que dedicaria o primeiro semestre de um eventual governo à recuperação das finanças públicas. Além dos contratos de concessão e privatização, os contratos terceirizados foram apontados como alvo de revisão para conter despesas.
Governo de São Paulo defende contratos
A assessoria de Tarcísio de Freitas contestou a avaliação do candidato. Segundo o governo estadual, chamar os contratos de “mal feitos” ignora resultados já entregues à população. No caso da Sabesp, a administração paulista informou que mais de 2,4 milhões de pessoas ganharam acesso à água e 4,7 milhões de famílias foram beneficiadas por serviços de tratamento de esgoto, com investimentos de R$ 15 bilhões em 2025.
O governo também informou que prevê R$ 70 bilhões em investimentos até 2029, com a antecipação da universalização do saneamento. Sobre o free flow, afirmou que o modelo promove justiça tarifária porque cobra conforme o trecho efetivamente percorrido. Quanto às concessões de trilhos, a assessoria disse que a participação privada funciona sob fiscalização da Artesp e que correções pontuais serão realizadas quando necessárias.
A resposta do governo reforça o contraste entre os dois projetos para São Paulo. Enquanto Haddad propõe revisar contratos e priorizar o equilíbrio fiscal, Tarcísio defende a continuidade do programa de parcerias com a iniciativa privada como caminho para ampliar investimentos e melhorar serviços públicos.
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