Ex-presidente do Brb tinha contas zeradas quando bens foram bloqueados
Relatórios enviados ao STF após a quebra de sigilo bancário apontam saldos inexistentes ou baixos nas contas de Paulo Henrique Costa. O levantamento também registrou dívida bancária enquanto o ex-dirigente responde à prisão no caso Banco Master.

Divulgação
Contas apresentaram poucos recursos
Relatórios encaminhados ao Supremo Tribunal Federal após a quebra de sigilo bancário mostram que o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa tinha contas zeradas ou com valores reduzidos quando o ministro André Mendonça determinou o bloqueio de seus bens, em abril. As instituições consultadas não identificaram valores relevantes que pudessem ser bloqueados.
O próprio BRB informou à Justiça que não havia saldo nas contas do ex-dirigente. Caixa, Bradesco Seguros, Mercado Pago e PayPal também apontaram valores inexistentes. Os montantes mais altos foram registrados no ecossistema do Nubank: uma conta-salário tinha R$ 707,11 e uma conta da NuInvest, R$ 42,70. A Poupex informou saldo de R$ 288,37, enquanto o Bradesco registrou R$ 42,85 e ausência de ações, aplicações financeiras ou outros investimentos vinculados a Costa.
Levantamento também encontrou dívida bancária
No Itaú, a situação era negativa. Uma conta-corrente apresentava saldo devedor de R$ 4.491,73. O banco informou que Costa mantinha cinco contas na instituição: duas sem saldo e duas poupanças com apenas R$ 1,50 e R$ 0,01. O resultado do levantamento contrasta com o valor cobrado judicialmente pelo BRB, que em março pediu R$ 799.435,79 referentes a empréstimos contratados pelo ex-presidente entre 2021 e 2024.
Segundo o banco, Costa deixou de pagar as parcelas em dezembro, após deixar a presidência da instituição. A cobrança judicial mostra que, apesar dos baixos saldos encontrados, há uma disputa financeira em andamento entre o ex-dirigente e a entidade que presidiu.
Prisão está relacionada ao caso Banco Master
Paulo Henrique Costa está preso desde abril e é investigado no caso Banco Master. Ele é acusado de receber R$ 146 milhões em imóveis de luxo do banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão de André Mendonça também determinou o bloqueio de bens de Daniel Monteiro, identificado nas investigações como operador de pagamentos nas negociações entre o Banco Master e o BRB.
As contas de Vorcaro também foram analisadas. Os documentos indicaram saldos zerados na maior parte das instituições, com exceção de uma conta no Itaú, onde havia R$ 51.737,65. Os valores bancários encontrados, no entanto, não encerram a apuração sobre a existência de outros bens ou sobre a origem e a circulação de recursos investigados no processo.
Defesa considera prisão desnecessária
O advogado Cleber Lopes, que representava Costa quando a prisão foi decretada, classificou a medida como desnecessária e afirmou que a defesa analisaria os fundamentos da decisão para adotar as medidas jurídicas cabíveis. Para a defesa, o ex-presidente do BRB poderia responder às investigações em liberdade.
Os saldos encontrados demonstram que o bloqueio imediato de valores em contas bancárias teve alcance financeiro limitado. Ainda assim, a investigação continua concentrada na acusação de recebimento de imóveis de luxo e na movimentação financeira relacionada às negociações entre o Banco Master e o BRB.
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