Hong Kong amplia bônus e isenções para estimular famílias maiores
Governo anuncia pagamentos maiores, benefícios fiscais, apoio à moradia e expansão de serviços de saúde e cuidado infantil diante da queda das taxas de natalidade e do envelhecimento populacional.

Divulgação
Hong Kong anunciou uma nova rodada de incentivos para famílias com mais de um filho, combinando pagamentos em dinheiro, redução de impostos e apoio à compra de imóveis. O pacote foi apresentado pelo chefe do Executivo, John Lee, no Discurso de Políticas de 2026, como parte dos esforços para enfrentar a queda da natalidade e o envelhecimento da força de trabalho.
Bônus maior para o segundo filho
O principal destaque é o aumento do pagamento direto para o nascimento do segundo filho e dos subsequentes. As famílias passarão a receber HK$ 30 mil, aproximadamente US$ 3,8 mil, ante os HK$ 20 mil oferecidos anteriormente. O novo valor vale para bebês nascidos a partir de 16 de setembro.
As regras tributárias também serão ampliadas. A dedução fiscal básica para o segundo filho e para cada filho adicional subirá de HK$ 140 mil para HK$ 160 mil. A dedução extra disponível nos dois primeiros anos após o nascimento também passará a ser de HK$ 160 mil. Em um cenário com renda anual de HK$ 1 milhão, o nascimento de um segundo filho poderia reduzir o imposto sobre salários de cerca de HK$ 127,4 mil para aproximadamente HK$ 49,2 mil, gerando economia estimada em HK$ 78,2 mil ao longo de dois anos.
Apoio à compra da casa própria
A habitação é outro ponto central do programa. Hong Kong possui um dos mercados imobiliários mais caros do mundo, e o custo da moradia é frequentemente apontado como um dos fatores que desestimulam a formação de famílias maiores. Famílias elegíveis poderão receber até HK$ 20 mil em isenção do imposto de selo na compra de um imóvel residencial entre um ano antes e dois anos depois do nascimento de um filho.
O financiamento de imóveis subsidiados pelo governo também ficará mais acessível. O percentual máximo de financiamento para famílias com recém-nascidos aumentará de 90% para 95%, reduzindo a entrada necessária no momento da compra.
Saúde reprodutiva e cuidado infantil
O governo também pretende ampliar a oferta de serviços de saúde e assistência às crianças. A cota anual para fertilização in vitro será elevada gradualmente para 1,9 mil casos nos próximos três anos. Centros de saúde locais oferecerão gratuitamente aulas sobre cuidados pré-concepcionais, pré-natais e pós-natais.
Para enfrentar a escassez de vagas em creches, estão previstos três novos equipamentos subsidiados, com capacidade para acrescentar 1,8 mil lugares destinados a crianças menores de três anos até o fim de 2030. Os programas de atendimento depois do horário escolar se tornarão permanentes a partir do ano letivo de 2027-28.
Pressão demográfica
As medidas marcam o terceiro ano consecutivo de intervenção do governo na tentativa de estimular a natalidade. Os nascimentos chegaram a 36,7 mil em 2024, alta de 11%, mas recuaram para 31,7 mil em 2025, o menor número já registrado. Entre meados de 2025 e meados de 2026, Hong Kong teve cerca de 29,7 mil nascimentos e 50,1 mil mortes, resultando em redução natural de aproximadamente 20,4 mil habitantes. O crescimento populacional total depende, atualmente, principalmente da entrada de expatriados e imigrantes.
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