Greve na Caixa preocupa construtoras e ameaça obras em Goiás
A paralisação dos funcionários da Caixa Econômica Federal interrompe análises, repasses e pagamentos ligados à construção civil. Em Goiás, empreendimentos com recursos do banco podem enfrentar atrasos, problemas de fluxo de caixa e suspensão de obras.

Divulgação
A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal chegou ao 13º dia nesta quarta-feira (23) e passou a comprometer operações essenciais para a construção civil. Novos contratos estão paralisados, enquanto análises, medições, repasses e pagamentos de empreendimentos já contratados enfrentam atrasos.
Obras e pagamentos sob risco
O cenário preocupa construtoras goianas. Segundo João Victor Ribeiro, presidente da Federação Nacional das Pequenas Construtoras (Fenapc), a Caixa responde por 68% do mercado de financiamentos imobiliários no Brasil. A entidade estima que cerca de 3 mil contratos deixem de ser analisados por dia em todo o país durante a paralisação.
O impacto alcança contratos de aquisição e construção, financiamentos para pessoas físicas e vendas de unidades prontas. No funcionamento habitual do setor, as medições mensais são encaminhadas ao banco até o dia 10 para que os pagamentos ocorram até o dia 25. Sem os repasses, as empresas podem ter dificuldades para pagar fornecedores, títulos vencidos e a folha de salários.
Paralisação pode atingir 60 mil unidades
Dados da Caixa indicam a existência de 60 mil unidades com contratos em vigor em Goiás e no Distrito Federal. Essas obras podem sofrer algum tipo de atraso enquanto a greve permanecer ativa. Entre os empreendimentos afetados estão aqueles financiados pelo Fundo de Arrendamento Residencial, destinado à construção de moradias populares e infraestrutura para famílias de baixa renda.
Construtoras reunidas com o Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás avaliaram a suspensão das obras financiadas pela Caixa a partir de sexta-feira (25). A Fenapc estima que, mesmo em um cenário otimista de encerramento imediato da greve, seria necessário aproximadamente um mês para normalizar as operações e reduzir a demanda acumulada.
Impasse sobre o plano de saúde
A paralisação continua por tempo indeterminado após 59,3% dos trabalhadores rejeitarem a proposta mais recente da Caixa. O principal ponto de conflito é o reajuste da participação dos funcionários no custeio do Saúde Caixa.
O banco propõe elevar de 6,5% para 9% o teto de contribuição sobre a folha a partir de 2027, sem cobrança diferenciada por faixa etária. A Caixa também informou que não haverá reajuste das mensalidades em 2026 e que assumirá o déficit do plano nesse período.
Para os trabalhadores, os valores previstos podem consumir o reajuste salarial real, anulando na prática o ganho obtido na negociação. A continuidade do impasse aumenta a pressão sobre setores dependentes dos serviços financeiros da Caixa, especialmente a construção civil e programas voltados à habitação popular.
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