Mendonça diz que PF conduziu investigações dos casos Master e INSS
André Mendonça rejeitou acusações de Alexandre de Moraes e afirmou que eventuais falhas, atrasos ou diferenças na condução das investigações cabem à Polícia Federal. Ministro também citou quebras de sigilo de Lulinha e ACM Neto para negar tratamento privilegiado.

Divulgação
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça sustentou que a condução operacional das investigações relacionadas aos casos Master e INSS coube à Polícia Federal. Em manifestação enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin, Mendonça rebateu acusações de Alexandre de Moraes e afirmou que as decisões sobre diligências e quebras de sigilo foram adotadas após demandas apresentadas por agentes e delegados da corporação.
Disputa sobre o comando das apurações
A manifestação foi encaminhada em 21 de setembro de 2026 como resposta a questionamentos de Moraes, que apontou supostas ilegalidades nas relatorias e acusou Mendonça de acelerar investigações contra determinados alvos enquanto retardava outras. O ministro negou motivação política e defendeu que é necessário separar as decisões judiciais da gestão cotidiana das equipes policiais.
Mendonça destacou que as investigações foram executadas por servidores e delegados designados pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Para o ministro, eventuais erros, atrasos ou assimetrias identificados nos trabalhos não podem ser atribuídos ao relator, pois dizem respeito à organização interna e à produção das peças pela autoridade policial.
Sigilos de Lulinha e ACM Neto
Para rejeitar a acusação de tratamento diferenciado, Mendonça citou investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e ACM Neto. O ministro informou que ambos tiveram sigilos bancário, fiscal e telemático ou telefônico quebrados por decisões judiciais, respectivamente nos contextos das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Na avaliação de Mendonça, os exemplos demonstram que não houve favorecimento com base em alinhamento político. Ele ressaltou que parte das decisões envolvendo ACM Neto permaneceu sob sigilo para não comprometer uma possível fase ostensiva posterior das investigações.
Prioridade definida em maio
Em maio, o ministro determinou a priorização de perícias e análises de mídias apreendidas com investigados presos ou submetidos a medidas restritivas, como monitoramento eletrônico. O prazo estabelecido foi de até 60 dias, em consonância com regras do Código de Processo Penal e normas internas da Polícia Federal.
Mendonça afirmou que adotou a medida após receber relatórios e pedidos da PF, não por iniciativa própria. A explicação busca responder à tese de que teria alterado indevidamente a ordem de prioridade das investigações.
Casos sob supervisão de Fachin
Os casos Master e INSS estavam sob a relatoria de Mendonça até serem paralisados por Fachin em 12 de setembro de 2026. A divergência evidencia a disputa sobre os limites de atuação do relator, da Polícia Federal e da Presidência do STF em investigações complexas. As acusações seguem controversas, enquanto a manifestação de Mendonça procura reconstruir a sequência administrativa e operacional das decisões.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








