Gerdau questiona competitividade do Brasil no comércio global
André Gerdau alerta para mudanças estruturais no cenário internacional e aponta desafios para a indústria nacional, especialmente o setor siderúrgico, que opera com alta capacidade ociosa e enfrenta concorrência de importações.

Divulgação
O cenário do comércio mundial passa por uma transformação profunda, e o Brasil precisa estar atento para manter sua competitividade. Essa é a principal preocupação expressa pelo empresário André Gerdau, que durante o Congresso Aço Brasil, realizado em São Paulo, levantou questionamentos sobre a capacidade da indústria nacional de se equiparar a outros países em um mercado cada vez mais dinâmico e desafiador. A fala de Gerdau ressalta a necessidade de uma análise aprofundada sobre os fatores que impactam a produção e o comércio de bens brasileiros no exterior.
Desafios da indústria siderúrgica nacional
Um dos pontos centrais abordados pelo empresário foi a situação do setor siderúrgico brasileiro. Atualmente, a indústria opera com uma ociosidade significativa, produzindo cerca de 33 milhões de toneladas de aço anualmente, enquanto sua capacidade instalada atinge 51 milhões de toneladas. Essa utilização de apenas 60% a 65% da capacidade está aquém do patamar ideal, estimado em mais de 80%, necessário para garantir a remuneração do capital, a distribuição de dividendos e a sustentação de investimentos de longo prazo. O consumo aparente de laminados, que atingiu seu pico em 2013 com 27 milhões de toneladas, hoje se encontra na faixa de 25 a 26 milhões de toneladas, evidenciando uma estagnação no mercado interno.
Impacto das importações
As importações de aço representam um desafio adicional para a indústria brasileira. Em 2025, as importações diretas alcançaram 5,7 milhões de toneladas, correspondendo a aproximadamente 22% do consumo nacional. Embora a expectativa para 2026 aponte para uma leve redução, para algo entre 18% e 18,5%, esse percentual ainda se mantém consideravelmente acima da média histórica de 9% a 10% observada entre 2000 e 2019. Gerdau reconheceu os esforços do governo em implementar medidas de defesa comercial, mas enfatizou que o volume de importações, mesmo com recuo, ainda é elevado. A preocupação se estende às importações indiretas, que incluem o aço embutido em produtos como carros, máquinas, eletrodomésticos e implementos agrícolas, elevando o total de aço estrangeiro consumido no Brasil para cerca de um terço do mercado.
Busca por condições justas de competição e política de Estado
André Gerdau deixou claro que o objetivo não é o fechamento do mercado, mas sim a busca por “condições justas de competição”. Ele também destacou a diferença no consumo per capita de aço entre o Brasil (cerca de 120 kg por habitante) e a China (560 kg), sugerindo que investimentos em infraestrutura, energia e habitação poderiam impulsionar a demanda interna, desde que acompanhados por um ambiente de produção mais favorável. O empresário defendeu a implementação de uma política de Estado de longo prazo para o setor industrial, argumentando que os ciclos eleitorais de quatro anos dificultam a tomada de decisões de investimento que demandam horizontes temporais mais extensos. A declaração final de Gerdau reforça a urgência de adaptação: “O comércio mundial mudou, está mudando e vai continuar mudando”.
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