Carga tributária brasileira é um "autotarifaço", critica economista
Marcos Troyjo compara o Brasil a EUA e Índia, que reduzem impostos em relação ao PIB, e alerta para a perda de competitividade.

Divulgação
A carga tributária no Brasil foi definida como um "autotarifaço" autoimposto pelo país pelo economista e cientista político Marcos Troyjo. A declaração foi feita durante a Conferência Magna do Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo, onde Troyjo analisou o cenário econômico internacional para representantes da cadeia produtiva do aço.
Brasil na contramão da desburocratização global
Troyjo argumentou que a burocracia e a alta carga tributária brasileiras funcionam como barreiras significativas, prejudicando a competitividade do país em um momento de reconfiguração do comércio global. Ele destacou que, mesmo após reformas como a da Previdência e a Tributária, que entra em vigor em 2027, a relação da carga tributária com o Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil permanece em 33%. Esse índice é consideravelmente superior ao de outras economias emergentes com papéis semelhantes no cenário mundial, como a Índia, com 18%, e o México, com 19%.
EUA e Índia reduzem impostos para ganhar agilidade
Em contrapartida, o economista apontou que potências como os Estados Unidos e a Índia estão ativamente reduzindo suas cargas tributárias e desburocratizando suas economias. Troyjo citou o exemplo dos EUA, que iniciaram o governo Trump com uma carga tributária equivalente a 27% do PIB e projetam uma redução para 25% e possivelmente menos, impulsionados por um forte movimento de desregulamentação e cortes em impostos corporativos. Essa estratégia, segundo ele, visa aumentar a agilidade e a capacidade de competição em um mercado global cada vez mais influenciado por fatores geopolíticos.
O "cavalo de pau" da China e oportunidades para o Brasil
Troyjo também abordou o fenômeno que ele denominou "China Choke", em oposição ao "China Shock" de anos atrás. Ele explicou que a China, antes focada em exportações como motor de crescimento, está agora mudando seu modelo, com a participação do comércio exterior em seu PIB caindo de 64% em 2006 para 34% em 2025. Essa mudança resulta em produtos chineses encontrando mais barreiras em mercados importantes como EUA, Índia e Europa, o que, por sua vez, pode criar oportunidades para o Brasil em setores onde o país se destaca, como agronegócio, minerais e energia.
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