EUA reduzem cota de importação de açúcar do Brasil e pressionam o Nordeste
Os Estados Unidos reduziram em 55,9 mil toneladas a cota de açúcar bruto brasileiro com tarifa reduzida para o ano fiscal de 2027. O volume disponível cairá para 100 mil toneladas, e a redistribuição do benefício a outros países exportadores deve afetar principalmente as usinas do Nordeste.

Divulgação
Os Estados Unidos confirmaram a redução de 55,9 mil toneladas na cota de importação de açúcar bruto do Brasil para o ano fiscal de 2027. O período começa em outubro deste ano e termina em setembro de 2027. Com a mudança, o volume autorizado a entrar no mercado americano com tarifa reduzida ficará limitado a 100 mil toneladas, ante 155,9 mil toneladas nos anos anteriores.
Impacto concentrado no Nordeste
A medida atingirá principalmente as usinas do Nordeste, que são beneficiadas pela legislação brasileira no acesso a essa cota. A redução representa aproximadamente um terço do volume disponível anteriormente e diminui a capacidade desses produtores de escoar açúcar para os Estados Unidos em condições tarifárias favoráveis. O corte também reduz uma alternativa importante de diversificação comercial para o setor.
Menos competitividade acima do limite
A nova cota não impede a exportação de açúcar brasileiro para o mercado americano, mas torna mais caro o volume que ultrapassar o limite autorizado. Acima da faixa com tarifa reduzida, os embarques passam a enfrentar tributos mais elevados, o que pode comprometer margens e dificultar a competição com fornecedores que receberam parte do volume redistribuído. Para as usinas, a decisão exige revisão de preços, contratos e estratégias de venda.
Benefício transferido a outros exportadores
Além de reduzir a participação brasileira, os Estados Unidos redistribuíram o volume retirado do Brasil entre outros países exportadores. A manobra altera a divisão das oportunidades de acesso ao mercado americano, embora não represente, por si só, uma queda na demanda global por açúcar. O Brasil continua sendo um dos principais produtores e exportadores mundiais, mas passa a contar com menos espaço em um destino historicamente relevante para parte da produção nordestina.
Setor terá de ajustar a comercialização
A decisão aumenta a pressão sobre as usinas do Nordeste no novo ciclo fiscal. Para preservar rentabilidade, o setor poderá buscar mais vendas ao mercado interno e a outros compradores externos, além de reavaliar a formação de estoques e os custos logísticos. O resultado dependerá também dos preços internacionais do açúcar, da taxa de câmbio e da demanda dos destinos alternativos. A redução da cota, porém, já impõe um cenário mais restritivo para o açúcar nordestino nos Estados Unidos.
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