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Economia

Dólar recua e Bolsa dispara após empate técnico em pesquisa eleitoral

Mercado reagiu com otimismo ao cenário de disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, com queda de 0,93% no câmbio e alta de 3,06% no Ibovespa. Análise de analistas aponta expectativas de ajuste fiscal e fluxo estrangeiro para o Brasil.

Roberto·
Dólar recua e Bolsa dispara após empate técnico em pesquisa eleitoral

O mercado financeiro brasileiro encerrou a quarta-feira (2) com sinais de euforia, impulsionado por um cenário político que, embora incerto, trouxe alívio aos investidores. O dólar recuou 0,93%, fechando cotado a R$ 5,10, enquanto o Ibovespa, principal índice da B3, avançou 3,06%, atingindo 185,2 mil pontos — chegando a marcar 186 mil pontos no decorrer do pregão, às 12h13.

A virada nos mercados veio após a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral da Quaest, às 10h15, que revelou um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno. Lula aparece com 42% das intenções de voto, enquanto Flávio soma 41%. A aproximação é significativa: em 26 de julho, a diferença entre os dois era de oito pontos percentuais.

Esse movimento não passou despercebido pelo mercado. Investidores, muitos deles favoráveis à eleição de Flávio Bolsonaro, comemoraram a reprecificação da disputa eleitoral, que passou a ser vista como um fator de estímulo ao ajuste fiscal e à atração de capital estrangeiro. O câmbio brasileiro, inclusive, descolou-se da tendência internacional: enquanto o dólar caía frente ao real, o índice DXY — que mede a força da moeda americana em relação a uma cesta de divisas fortes — registrava leve queda de 0,08%, aos 99,59 pontos, mantendo-se estável.

A disparidade entre os mercados globais e o Brasil ficou evidente. Enquanto a Bolsa brasileira subia mais de 3%, os principais índices europeus recuavam. O Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, caiu 0,21%. O DAX, de Frankfurt, e o CAC 40, de Paris, perderam 0,50% e 0,26%, respectivamente. Em Londres, o FTSE 100 também cedeu 0,30%. Nos Estados Unidos, os índices subiram, mas em ritmo muito menor: o S&P 500 avançou 0,25%, o Dow Jones 0,55% e o Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, 0,41%.

Outro fator que chamou a atenção foi a alta do petróleo. Em meio ao acirramento das tensões entre Estados Unidos e Irã, o barril do tipo Brent, referência internacional, subiu 1,04%, fechando a US$ 95,63. Já o WTI, que baliza o comércio nos EUA, encareceu 0,61%, a US$ 90,77. Analistas destacam que, apesar das preocupações com a inflação global, os ativos brasileiros seguiram em trajetória oposta, beneficiados por um ambiente doméstico mais favorável.

João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa, avalia que o empate técnico entre os candidatos gerou expectativas de um ajuste fiscal mais robusto, o que atraiu fluxo estrangeiro e derrubou os juros futuros em cerca de 1% em toda a curva. Emerson Junior, da mesa de câmbio da mesma corretora, reforça que a queda do dólar foi um movimento doméstico, impulsionado pela pesquisa eleitoral. "Apesar da insegurança jurídica e institucional gerada por recentes desdobramentos, como o caso Master, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes, o mercado priorizou a reprecificação da disputa, fortalecendo o 'trade eleitoral' e impulsionando os ativos locais", afirmou.

Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa da Convexa, complementa que os contratos de DI recuaram em todos os vértices, acompanhando o alívio no câmbio e o bom desempenho dos ativos brasileiros. "A produção industrial de julho, que avançou 0,2% após dois meses de queda, reforçou uma leitura de atividade ainda moderada, sem alterar as apostas para a política monetária", disse. No entanto, o analista destacou que o ambiente externo permaneceu cauteloso, com o petróleo em alta devido às tensões geopolíticas e os Treasuries, títulos da dívida americana, ainda no radar dos investidores, limitando uma leitura mais otimista para a inflação global.

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