Dólar fecha em queda, mas acumula alta semanal com incertezas eleitorais
A moeda americana cedeu 0,26% nesta sexta-feira, mas registrou ganho de 1,77% na semana. Fatores como fluxo de capital, alta do petróleo e medidas populares do governo influenciaram o cenário.

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O dólar à vista encerrou a sessão desta sexta-feira em baixa de 0,26%, cotado a R$ 5,0735. A moeda brasileira mostrou resiliência em relação a outros pares latino-americanos, que enfrentaram pressão devido ao avanço das taxas dos títulos do Tesouro americano e a um sentimento de aversão ao risco global, particularmente influenciado pelo setor de Inteligência Artificial. Um potencial fluxo de investimentos para a bolsa doméstica, impulsionado pela forte alta das ações da Petrobras em um dia de valorização do petróleo, pode ter contribuído para o desempenho do real.
Volatilidade semanal e incertezas políticas
Apesar do alívio pontual nesta sexta, o dólar acumulou uma alta de 1,77% na semana. Esse resultado contrasta com a queda expressiva de mais de 4% observada na semana anterior, período que coincidiu com a euforia inicial em torno da dianteira de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais. Operadores do mercado financeiro atribuem a recente volatilidade e a valorização da moeda americana ao aumento das incertezas sobre o desfecho da corrida eleitoral, especialmente após as últimas pesquisas indicarem um empate técnico entre os principais candidatos, com Flávio Bolsonaro mantendo uma leve vantagem numérica sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Medidas de apelo popular e cenário internacional
A percepção de que o cenário pode ser favorável ao presidente Lula ganhou força com uma série de anúncios de medidas de forte apelo popular. Além das manifestações de apoio da esquerda e da aprovação do fim da escala de trabalho 6x1, o governo divulgou o perdão de dívidas e apoio financeiro a microempreendedores individuais (MEIs), além da implementação da "tarifa zero" no transporte público em feriados e fins de semana. A entrevista de Lula à TV Globo também foi avaliada positivamente pelo mercado. A expectativa agora se volta para a participação de Flávio Bolsonaro na mesma emissora e para o debate presidencial no domingo, eventos que podem influenciar significativamente a decisão dos eleitores. No cenário internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, recuou, impulsionado por apostas na manutenção das taxas de juros pelo Federal Reserve e pela cautela do presidente do BC americano sobre os próximos passos da política monetária.
Perspectivas e a influência dos debates
Analistas do Macquarie Group destacam que o retorno da taxa de câmbio para a faixa de R$ 5,00 a R$ 5,10 reflete tanto as condições globais menos favoráveis para moedas emergentes quanto o fortalecimento do dólar desde o início de outubro. Contudo, os analistas também apontam para um receio crescente de que as perspectivas de Lula não sejam tão desfavoráveis quanto se pensava inicialmente. As medidas anunciadas e os esforços da campanha para engajar eleitores nas redes sociais são fatores que contribuem para essa percepção. Diante do acirramento da disputa, os debates presidenciais são vistos como cruciais para definir o vencedor, com as pesquisas mais recentes confirmando a proximidade entre os candidatos.
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