Copom reduz Selic para 13,75% ao ano
Banco Central confirma novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, acompanhado pela desaceleração da inflação e da atividade econômica, mas mantém cenário de cautela diante dos riscos externos.

Divulgação
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (16 de setembro de 2026) a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual foi o quinto consecutivo e atendeu às expectativas predominantes do mercado financeiro.
Inflação perde força, mas segue acima da meta
A decisão ocorre em um cenário de arrefecimento dos preços. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou deflação de 0,32% em agosto e acumulou alta de 4,22% em 12 meses. A trajetória recente deu mais espaço para a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, embora a inflação ainda exija atenção.
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central reduziu a projeção para o IPCA de 2026 de 5% para 4,90%. A estimativa continua acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta, cujo centro é 3%. Para 2027, a previsão ficou em 4,30%, ligeiramente superior à estimativa anterior.
Atividade econômica perde ritmo
Os indicadores de atividade também influenciaram o ambiente favorável a uma política monetária menos restritiva. O IBC-Br, considerado a prévia do Produto Interno Bruto, caiu 0,2% em julho na comparação com junho, após ajuste sazonal. Em 12 meses, o indicador ainda acumula crescimento de 1,5%.
O recuo mensal foi puxado principalmente pela Agropecuária, que diminuiu 1,2%, e pela Indústria, com queda de 0,4%. Os Serviços permaneceram estáveis. No trimestre encerrado em julho, o IBC-Br recuou 0,3% em relação aos três meses anteriores.
O mercado também reduziu sua expectativa de crescimento do PIB em 2026, de 1,93% para 1,89%. Para 2027, a projeção é de expansão de 1,45%, sinal de que a atividade econômica deve avançar em ritmo moderado nos próximos meses.
Mercado espera pausa até o fim do ano
As projeções indicam que a Selic deve permanecer em 13,75% ao ano até o fim de 2026. Para 2027, a estimativa do mercado é de taxa básica em 12% ao ano. A comunicação do Copom será acompanhada de perto para identificar sinais sobre uma possível nova redução na reunião de novembro.
Riscos externos aumentam cautela
Apesar da melhora nos indicadores domésticos, o cenário internacional impõe incertezas. O conflito no Oriente Médio pressiona os preços do petróleo, enquanto bancos centrais de outras regiões reassessam o ritmo de suas políticas monetárias. A alta da energia na Europa levou o Banco Central Europeu a elevar os juros em 0,25 ponto percentual.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve mantém a taxa entre 3,75% e 4% ao ano. O movimento reforça a preocupação com uma eventual pressão sobre commodities e preços, fatores que podem limitar a velocidade dos próximos cortes da Selic no Brasil.
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