Tratamento de esclerose múltipla no Sus cresce 26% em quatro anos
Número de pacientes com esclerose múltipla tratados pelo SUS aumentou 25,9% entre 2019 e 2023. Estudo aponta avanço no uso de medicamentos de alta eficácia, mas alerta para desigualdades regionais e dificuldades no diagnóstico precoce.

Divulgação
O número de pacientes com esclerose múltipla em tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu 25,9% entre 2019 e 2023. O avanço indica uma ampliação do acesso ao acompanhamento médico e aos medicamentos, mas ainda revela diferenças importantes entre as regiões do país.
Acesso ampliado aos medicamentos
Um estudo liderado por médicos do Hospital Israelita Albert Einstein e pesquisadores do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde analisou dados de aproximadamente 27 mil pacientes atendidos pelo SUS. A pesquisa, publicada em junho de 2026 na revista científica Multiple Sclerosis and Related Disorders, mostrou que a prescrição de medicamentos de alta eficácia aumentou em todas as regiões brasileiras, embora em ritmos diferentes.
Até 2021, o protocolo clínico do SUS não autorizava o uso desses medicamentos no início do tratamento. Os pacientes precisavam começar com fármacos de menor eficácia. Após a atualização das regras, tornou-se possível indicar terapias mais potentes em fases anteriores da doença, estratégia que pode ajudar a preservar a qualidade de vida e reduzir o impacto de novos surtos.
Diagnóstico precoce continua sendo desafio
A esclerose múltipla é uma doença autoimune crônica que atinge o sistema nervoso central. O sistema imunológico passa a atacar a bainha de mielina, camada que protege os neurônios e facilita a transmissão dos impulsos nervosos. Com isso, podem surgir inflamações e lesões no cérebro e na medula espinhal.
Os sintomas variam conforme a área afetada e incluem perda de força nos membros, alterações na visão e no equilíbrio, dificuldade para caminhar, fadiga intensa e problemas no controle dos esfíncteres. Como essas manifestações podem ser confundidas com ansiedade ou problemas ortopédicos, parte dos pacientes demora a receber encaminhamento para avaliação neurológica.
Especialistas defendem a ampliação do acesso à ressonância magnética, à análise do líquor e a exames de biomarcadores. Esses recursos ajudam a confirmar o diagnóstico, acompanhar a progressão da doença e avaliar a resposta ao tratamento. Também é considerada fundamental a capacitação dos profissionais da atenção básica para reconhecer sinais que exigem investigação especializada.
Desigualdades regionais ainda limitam o avanço
As diferenças na prescrição de medicamentos de alta eficácia entre as regiões brasileiras ainda não têm uma explicação definitiva. Elas podem estar relacionadas à dificuldade de acesso a exames detalhados, à disponibilidade de centros preparados para infusão de medicamentos e a problemas na dispensação dos remédios.
A estrutura dos serviços de saúde e a formação dos profissionais também influenciam o tempo necessário para diagnóstico e tratamento. Para os pesquisadores, ampliar a rede de atendimento, reduzir barreiras aos exames e garantir o acesso regular às terapias disponíveis no SUS são medidas essenciais para tornar o avanço observado mais uniforme em todo o Brasil.
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