Escore genético ajuda a indicar evolução da depressão em jovens, mostra estudo
Pesquisa com 2.163 jovens de São Paulo e Porto Alegre encontrou associação entre maior risco poligênico e agravamento mais rápido dos sintomas depressivos. Ferramenta pode apoiar monitoramento precoce, mas não substitui avaliação clínica.

Divulgação
Um estudo desenvolvido por pesquisadores brasileiros mostrou que ferramentas de mapeamento genético podem ajudar a identificar jovens com maior vulnerabilidade à depressão e indicar possíveis trajetórias da doença entre a infância e o início da vida adulta. A pesquisa acompanhou 2.163 pessoas de 6 a 23 anos em São Paulo e Porto Alegre.
Risco genético e agravamento dos sintomas
O estudo constatou que participantes com pontuação mais elevada em um escore de risco poligênico tenderam a apresentar agravamento mais rápido dos sintomas depressivos ao longo do tempo. O resultado sugere que a carga genética pode influenciar não apenas a probabilidade de surgimento do transtorno, mas também a forma como ele evolui durante o desenvolvimento.
Entre os jovens já diagnosticados com transtorno depressivo maior, aqueles com maior risco genético também demonstraram mais suscetibilidade à autolesão não suicida. O termo se refere a comportamentos como cortes, queimaduras, arranhões e pancadas aplicados intencionalmente contra o próprio corpo, sem intenção de provocar a morte.
Avanço para populações miscigenadas
A pesquisa ganhou relevância por testar o marcador em uma população altamente miscigenada, como a brasileira. Grande parte dos estudos sobre risco poligênico foi realizada com pessoas de ancestralidade europeia, limitando a precisão dessas ferramentas quando aplicadas a outros contextos populacionais.
Os autores destacam que o escore genético não funciona como diagnóstico isolado nem determina, por si só, o futuro clínico de um paciente. Para que possa ser usado de forma responsável, o marcador precisará ser combinado com informações sobre histórico familiar, sintomas, ambiente e outras condições de saúde.
A descoberta pode contribuir para estratégias de acompanhamento mais próximas e intervenções psiquiátricas precoces em grupos considerados vulneráveis. Os pesquisadores avaliam que ampliar estudos com populações de diferentes ancestralidades é essencial para tornar a genética psiquiátrica mais precisa e útil no cuidado com crianças e jovens.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








