Por que as canetas para emagrecer não funcionam sozinhas
Medicamentos injetáveis ajudam a reduzir o apetite e promovem perda de peso, mas estudos indicam que parte dos quilos eliminados tende a voltar após a interrupção. Especialistas defendem tratamento contínuo, acompanhamento médico e mudanças duradouras no estilo de vida.

Divulgação
As canetas usadas no tratamento da obesidade e do diabetes ganharam espaço como alternativas eficazes para reduzir o peso. Medicamentos como semaglutida e tirzepatida atuam em vias hormonais relacionadas à fome e à saciedade, helping patients to eat less. No entanto, especialistas alertam que os resultados dificilmente serão sustentados se o tratamento não vier acompanhado de mudanças alimentares, atividade física e seguimento médico.
Peso recuperado após a interrupção
Uma revisão sistemática que analisou 37 estudos com mais de 9,3 mil adultos com sobrepeso ou obesidade mostrou que o peso volta a subir após a suspensão dos remédios. Em média, os participantes recuperaram aproximadamente 0,4 quilo por mês depois de interromper o tratamento.
Durante o uso das medicações, que durou em média 39 semanas, a perda foi de 8,3 quilos, mais do que o dobro da observada nos grupos de controle. Mantido o ritmo médio de retorno do peso, a estimativa é de que os participantes poderiam voltar ao peso inicial em cerca de um ano e sete meses.
O quadro não representa falta de disciplina ou força de vontade. A obesidade é uma doença crônica e o organismo possui mecanismos biológicos que dificultam a manutenção da perda de gordura. Quando o peso diminui, o corpo pode reduzir o gasto energético e aumentar sinais de fome na tentativa de recuperar as reservas perdidas.
Remédio é ferramenta, não solução isolada
A semaglutida atua como agonista do receptor de GLP-1, enquanto a tirzepatida combina efeitos nas vias do GLP-1 e do GIP. Essas ações reduzem o apetite, aumentam a saciedade e podem contribuir para o emagrecimento. Quando o medicamento é suspenso, porém, esses efeitos deixam de atuar com a mesma intensidade.
Além do peso, benefícios conquistados durante o tratamento, como melhora da glicemia, do colesterol e da pressão arterial, também podem diminuir após a interrupção. Por isso, a decisão de iniciar, ajustar ou suspender o medicamento deve ser individualizada e acompanhada por médico, sem uso por estética ou sem supervisão profissional.
Hábitos aumentam as chances de manter o resultado
Uma alimentação equilibrada, com proteínas, fibras e menor consumo de ultraprocessados, ajuda a controlar a fome e melhora a qualidade da dieta. A prática regular de exercícios físicos contribui para preservar a massa magra, aumentar o gasto energético e proteger a saúde cardiovascular.
Sono adequado e controle do estresse também fazem parte do tratamento. A falta de descanso e a tensão emocional podem alterar hormônios ligados ao apetite e favorecer episódios de alimentação emocional. Em alguns casos, o acompanhamento de nutricionista, educador físico e outros profissionais aumenta as chances de adesão ao novo estilo de vida.
As canetas para emagrecer são recursos importantes no combate à obesidade, especialmente quando há riscos associados ao excesso de peso. Ainda assim, o objetivo não deve ser uma perda rápida e isolada, mas o tratamento contínuo de uma condição crônica, com resultados construídos entre paciente, médico e equipe multiprofissional.
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