Incêndios no Amazonas disparam 116% em 2026 e mobilizam força-tarefa federal
O Amazonas enfrenta um aumento alarmante de 116% nos focos de incêndio em 2026 em comparação com o ano anterior, totalizando 7.815 ocorrências até outubro. Apesar de o número ainda estar abaixo da média histórica, a situação levou o governo federal a declarar estado de emergência e mobilizar recursos para combater as chamas, consideradas intencionais e ligadas a atividades de desmatamento.

Divulgação
O estado do Amazonas tem sido palco de um aumento expressivo nos focos de incêndio florestal em 2026. Dados recentes do sistema BDQueimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam que, de 1º de janeiro a 12 de outubro, foram registrados 7.815 focos. Este número representa um salto de 116% em comparação com os 3.611 focos apurados no mesmo período de 2025, acendendo um alerta sobre a preservação da maior floresta tropical do mundo.
Ainda que o crescimento seja notável em relação ao ano anterior, é importante contextualizar que o total acumulado de focos de incêndio no Amazonas em 2026 está 12% abaixo da média histórica registrada pelo Inpe. Além disso, a quantidade de ocorrências é 67% inferior aos 23.475 registros contabilizados em 2024, indicando uma complexidade na análise dos dados e na variação anual das queimadas na região.
Panorama nacional e resposta governamental
Em um panorama mais amplo, o Brasil como um todo registrou 82.999 focos de incêndio de 1º de janeiro a 12 de outubro de 2026. Desse total, uma parcela significativa, 37.035, concentrou-se na Amazônia, bioma crucial para o equilíbrio climático global. Fora do Amazonas, o Pará lidera o ranking estadual com 16.115 focos, seguido de perto por Mato Grosso, com 9.731, e Bahia, que contabilizou 8.645 registros, mostrando que o problema das queimadas é uma preocupação nacional.
Diante da gravidade da situação no Amazonas, o governo federal agiu prontamente. Em 10 de outubro de 2026, foi reconhecida a situação de emergência em 36 municípios do estado. Para enfrentar as chamas, foram disponibilizadas 11 aeronaves e mobilizados 250 brigadistas federais, com outros 40 a caminho para reforçar as equipes em campo. A medida visa conter a proliferação dos focos e minimizar os danos ambientais e sociais.
Impacto direto na saúde e a origem dos focos
A fumaça decorrente dos incêndios não se restringe às áreas de floresta, espalhando-se e prejudicando a qualidade do ar em locais distantes. Em Manaus, por exemplo, a prefeitura informou que a concentração média de material particulado fino (MP2,5) atingiu 196,4 microgramas por metro cúbico às 6h do dia 10 de outubro, patamar classificado como “péssimo” para a saúde humana. Isso expõe a população a riscos respiratórios e evidencia a urgência das ações de combate.
A resposta governamental incluiu também a presença de altos escalões. Em 11 de outubro de 2026, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, realizaram um sobrevoo pelo Amazonas. Durante a vistoria, identificaram a presença de fogo em áreas florestais de difícil acesso. O ministro Capobianco destacou que não há fogo espontâneo no bioma amazônico, o que sugere que os focos são resultado de ação humana intencional, com o provável objetivo de degradar o bioma para futuras atividades de desmatamento e exploração da terra.
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