Pgr se manifesta contra afastamento de diretores da Polícia Federal
Procuradoria Geral da República aponta falta de elementos concretos que justifiquem a saída de Andrei Rodrigues e Leandro Almada de seus cargos na PF.

Divulgação
A Procuradoria Geral da República (PGR) emitiu um parecer contundente contra o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A manifestação, enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), argumenta a ausência de elementos probatórios que sustentem uma medida tão drástica, considerando-a desproporcional e sem fundamento fático suficiente.
A posição da PGR, assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet e pelo vice-PGR Hildebrando Chateaubriand, juntamente com dois subprocuradores-gerais, Antônio Teixeira e André Ramos, enfatiza que a mera posição hierárquica não autoriza a responsabilização de servidores por eventuais irregularidades. É necessário, segundo o parecer, que haja a demonstração clara de participação imprópria em atos ilícitos, algo que, na visão da Procuradoria, não foi evidenciado na decisão que determinou o afastamento.
Risco à ordem pública e efeitos amplos
O documento ressalta que o afastamento de altos escalões da Polícia Federal pode gerar consequências de grande alcance, extrapolando um processo específico e configurando um potencial risco à ordem pública. A PGR argumenta que a qualificação negativa do comportamento das autoridades policiais, para justificar uma medida de tamanha magnitude, necessita vir acompanhada de evidências concretas e não apenas de suposições ou generalizações.
Andrei Rodrigues e Leandro Almada foram inicialmente afastados de suas funções em setembro de 2026 por decisão monocrática do ministro do STF André Mendonça. A justificativa apresentada na época envolvia a suposta participação dos diretores em monitoramentos ilícitos e na produção de relatórios de inteligência apócrifos, sem a devida autorização do plenário da Corte. No entanto, a decisão de Mendonça foi revertida no dia seguinte pelo ministro Flávio Dino, que alegou riscos a investigações em andamento. Posteriormente, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, anulou ambas as decisões, buscando restabelecer a ordem pública.
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