Indústria de fertilizantes alerta para risco estratégico da dependência externa
Setor produtivo brasileiro de fertilizantes lança documento cobrando redução da importação e destacando os riscos para o agronegócio e a segurança alimentar nacional.

Divulgação
O Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-primas para Fertilizantes (Sinprifert) apresentou, na última terça-feira (13/10), data marcada pelo Dia Mundial dos Fertilizantes, um documento intitulado Carta Aberta ao Brasil. A publicação levanta um alerta crucial sobre a elevada dependência do país em relação a fertilizantes importados, estimada pela entidade em cerca de 90%. Essa fragilidade, segundo o Sinprifert, configura um risco estratégico não apenas para o pujante agronegócio brasileiro, mas também para a segurança alimentar da nação, um pilar fundamental para o desenvolvimento e a estabilidade social.
Dependência externa como ponto de vulnerabilidade
A manifestação do setor ocorre em um cenário de intensa crise global, intensificada pelas flutuações e disparadas nos custos das matérias-primas essenciais para a produção de fertilizantes. O conflito no Oriente Médio, por exemplo, teve um impacto significativo, elevando o preço de insumos vitais. O enxofre, componente indispensável na fabricação de fertilizantes fosfatados, atingiu patamares alarmantes, chegando a custar US$ 1,2 mil por tonelada em meados deste ano. Para se ter uma dimensão da escalada, em janeiro, antes do recrudescimento das tensões na região, o mesmo produto era negociado a US$ 435 por tonelada. Essa volatilidade e o aumento expressivo nos custos levaram diversas fábricas no Brasil a interromperem suas linhas de produção, evidenciando a fragilidade da cadeia produtiva nacional.
A necessidade de um plano estratégico para o setor
A Carta Aberta ao Brasil não se limita a expor os problemas, mas também propõe um chamado à ação para que o país reavalie sua estratégia de suprimento de fertilizantes. A entidade defende a implementação de políticas públicas e incentivos que promovam o desenvolvimento da indústria nacional, a exploração de jazidas de matérias-primas estratégicas e a diversificação de fornecedores. O objetivo é claro: reduzir a dependência externa e garantir maior autonomia e previsibilidade para o setor, essencial para a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global e para o abastecimento interno.
Impacto na segurança alimentar e no agronegócio
A forte dependência da importação de fertilizantes expõe o Brasil a choques externos, como crises geopolíticas, flutuações cambiais e problemas logísticos, que podem comprometer o abastecimento e encarecer a produção agrícola. Isso, por sua vez, impacta diretamente a rentabilidade dos produtores rurais e pode se refletir no preço dos alimentos para o consumidor final, afetando a segurança alimentar. Investir na produção nacional de fertilizantes não é apenas uma questão econômica, mas também uma medida de soberania e resiliência para o país.
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