The Yield Lab Latam lança fundo de R$ 200 milhões para impulsionar agtechs brasileiras
A The Yield Lab Latam, gestora especializada em agtechs, está lançando o RAIZ Fund, seu primeiro fundo dedicado exclusivamente ao Brasil, com meta de captar R$ 200 milhões. O investimento será direcionado a startups que utilizam inteligência artificial para promover a sustentabilidade na agricultura, destacando o potencial do mercado brasileiro e uma nova estratégia de rápido retorno para os investidores.

Divulgação
O agronegócio brasileiro, conhecido por sua potência e inovação, acaba de ganhar um novo e robusto impulsionador. A The Yield Lab Latam, uma gestora especializada em agtechs — as startups do agro —, anunciou o lançamento do RAIZ Fund, seu primeiro fundo de investimento totalmente dedicado ao Brasil. Com uma meta ambiciosa de captar R$ 200 milhões, a iniciativa visa fomentar empresas emergentes que estão na vanguarda da sustentabilidade e da inteligência artificial aplicada ao campo, consolidando a posição do país como um polo de desenvolvimento tecnológico para o setor.
Estruturado como um Fundo de Investimento em Participações (FIP) brasileiro, o RAIZ Fund direcionará a maior parte de seus recursos — pelo menos 67% — para negócios inovadores dentro do território nacional. O restante, até 33%, será aplicado em tecnologias globais promissoras que demonstrem potencial de inserção e impacto no mercado brasileiro. A escolha pelo Brasil não é à toa: além da imensa escala da produção agropecuária, o país se destaca pela efervescência em áreas como fintechs agrícolas e o crescente mercado de insumos biológicos. A possibilidade de operar em real também é um grande atrativo, facilitando a parceria com investidores institucionais brasileiros, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que priorizam projetos locais.
Oportunidade em tempos de juros altos
Para Kieran Gartland, sócio-diretor da gestora, o cenário de juros elevados no Brasil, que geralmente leva investidores a buscar menor risco, paradoxalmente, apresenta uma grande oportunidade. “O fato de ninguém ter dinheiro é melhor para quem está investindo. Quando há uma escassez de capital no mercado, quem está investindo determina o preço que quer investir”, explicou ele, revelando uma estratégia astuta de mercado. Essa visão demonstra a confiança da The Yield Lab no potencial de valorização das agtechs brasileiras, mesmo em um ambiente econômico mais desafiador para a captação de recursos.
Foco em IA e agilidade nos retornos
O RAIZ Fund tem como primeira meta captar R$ 50 milhões até março de 2027, visando selecionar 25 startups em estágio Seed e Série A. Os aportes variarão entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões, com foco em quatro pilares: fintech agrícola e climática; inteligência artificial (com aplicações como agentes de WhatsApp e copilotos agronômicos); inteligência para a cadeia de suprimentos; e bioinsumos. A inteligência artificial é a espinha dorsal da estratégia. “Se não tiver IA aplicada, esquece”, sentenciou Gartland, enfatizando a importância de soluções que acelerem o desenvolvimento de produtos, superando um gargalo histórico das agtechs.
Ciclos de investimento mais curtos e saídas estratégicas
Diferente do modelo tradicional de venture capital de dez anos, a The Yield Lab aposta em fundos menores, com prazos de até cinco anos. Essa abordagem visa encurtar o ciclo entre o investimento e a recuperação do capital. A gestora espera que as saídas dos investimentos ocorram por meio de aquisições estratégicas por empresas maiores, em vez de depender de aberturas de capital (IPOs) ou da complexa jornada para se tornar um unicórnio. Gartland acredita que empresas estabelecidas terão cada vez mais incentivo para adquirir agtechs e incorporar tecnologias que não conseguem desenvolver internamente com a mesma velocidade, buscando retornos de quatro a cinco vezes o capital investido em cerca de três anos para reinvestir rapidamente em novos negócios.
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