Exportações de café do Brasil: Volume sobe em setembro, com mercado americano reaquecido
O Brasil registrou um aumento significativo no volume de café exportado em setembro, superando o mesmo período do ano anterior, impulsionado pela retomada das relações comerciais com os Estados Unidos após a resolução de questões tarifárias. Contudo, a receita cambial total acumulada no ano ainda apresenta queda, reflexo de preços internacionais menores e mudanças na composição dos embarques.

Divulgação
O setor cafeeiro brasileiro demonstra vigor nas exportações, com o mês de setembro registrando um notável crescimento no volume de sacas embarcadas. Este avanço é um reflexo direto do reaquecimento das relações comerciais com os Estados Unidos, um dos principais mercados para o café do país. Apesar da alta em volume, a receita cambial total no acumulado do ano ainda enfrenta desafios, impactada por um cenário de preços internacionais menos favoráveis.
Os dados mais recentes do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) revelam que 3,894 milhões de sacas de 60 kg foram embarcadas no mês passado, representando um crescimento de 3,1% em comparação com os 3,778 milhões de sacas exportadas em setembro de 2025. Contudo, a receita cambial registrou uma queda de 7,1%, somando US$ 1,282 bilhão.
Retomada com o mercado americano impulsiona embarques
Márcio Ferreira, presidente da Cecafé, destaca que o bom desempenho de setembro é um reflexo direto da normalização das exportações para os Estados Unidos. Após um período de incertezas relacionadas à imposição de tarifas, o mercado americano voltou a aquecer para o produto brasileiro. Em novembro de 2025, a maior parte dos cafés brasileiros já havia sido isenta de taxação, mas o café solúvel permaneceu tarifado até julho deste ano, gerando um ambiente de cautela nas negociações.
A resolução veio após um intenso trabalho conjunto entre o Cecafé, outras entidades do setor, a americana National Coffee Association (NCA) e o governo. Essa articulação garantiu a reafirmação da isenção para os cafés verdes e a inclusão do café solúvel nas listas de exceção em novas investigações. “Isso possibilitou que o cenário comercial bilateral ficasse mais nítido, mitigando incertezas e possibilitando a retomada dos negócios”, explica Ferreira. O impacto foi imediato: em setembro de 2026, os Estados Unidos importaram 625.192 sacas de café do Brasil, um salto impressionante de 86,4% em relação às 335.339 sacas do mesmo mês no ano anterior.
Balanço do ano-safra e cenário anual
A performance de setembro contribuiu para um balanço positivo nos primeiros três meses do ano-safra 2026/27. Entre julho e setembro deste ano, as exportações brasileiras de café totalizaram 11,210 milhões de sacas, um avanço de 15,5% frente aos 9,707 milhões registrados no mesmo período de 2025. A receita cambial para o período também mostrou crescimento, atingindo US$ 3,561 bilhões, um aumento de 0,8%.
No acumulado do ano civil, de janeiro a setembro de 2026, o Brasil exportou 29,095 milhões de sacas de café. Esse volume se mantém praticamente estável em comparação com os nove primeiros meses do ano passado, apresentando uma leve variação negativa de 0,2%. A aproximação do volume exportado em relação a 2025, conforme Márcio Ferreira, deve-se à recente retomada dos embarques para os EUA e à chegada dos cafés da nova safra brasileira. Ele aponta que os novos grãos demoraram a aparecer para exportação devido a atrasos na colheita, principalmente em julho, impactados por chuvas.
Apesar da estabilidade no volume, a receita cambial no acumulado do ano civil (janeiro a setembro) registrou uma queda de 8,6%, passando de US$ 11,065 bilhões em 2025 para US$ 10,113 bilhões em 2026. Ferreira projeta, no entanto, que o ritmo dos negócios internacionais vem se normalizando desde agosto, com tendência de crescimento e superação dos volumes e valores registrados no ano passado até o fim de 2026, à medida que a nova safra entra no mercado.
Preços menores e composição dos embarques impactam receita
A diminuição da receita cambial ao longo do ano decorre de múltiplos fatores, conforme explica o presidente do Cecafé. Entre eles, destacam-se as cotações menos favoráveis no mercado internacional e a qualidade dos primeiros lotes de café exportados, especialmente da espécie arábica. “Além do cenário mercadológico, o fato de termos uma safra de arábica mais prejudicada em qualidade resulta em menores preços para esses cafés afetados, principalmente pela chuva”, analisa Ferreira.
Outro ponto relevante é a evolução da participação dos cafés canéforas (conilon e robusta) nas remessas ao exterior. Embora representem um volume significativo, esses cafés possuem cotações naturalmente menores do que o arábica. “O aumento significativo da participação dos canéforas nas exportações também gera diminuição no faturamento e na média por saca exportada”, complementa o presidente da entidade.
EUA retomam liderança entre os principais destinos
Com a recuperação das importações em agosto e setembro, os Estados Unidos reassumiram a posição de principal destino dos cafés brasileiros no acumulado dos nove primeiros meses de 2026. Os americanos adquiriram 3,805 milhões de sacas no período, correspondendo a 13,1% do total exportado. A Alemanha, que vinha liderando, aparece na sequência, respondendo por 11,4% do total, com a importação de 3,307 milhões de sacas. Completando o Top 5, figuram Itália, com 2,597 milhões de sacas (+11,6%); Bélgica, com 2,463 milhões de sacas (+44,5%); e o Japão, com 1,451 milhão de sacas (-23,3%).
Arábica ainda domina, mas canéforas avançam
O café arábica continua sendo o tipo mais exportado pelo Brasil, com 20,739 milhões de sacas entre janeiro e setembro de 2026, representando 71,3% do total. No entanto, esse volume reflete um declínio de 10,7% em comparação com o ano anterior. A espécie canéfora (conilon + robusta) mostra um crescimento notável, com embarque de 5,162 milhões de sacas (17,7% do total), um aumento substancial de 68,3%. O café solúvel e o segmento industrial de café torrado e moído completam a lista, com participações menores, mas relevantes para a diversidade da pauta exportadora.
Cafés diferenciados com queda nas exportações
Os cafés diferenciados – que englobam produtos de qualidade superior, certificados por práticas sustentáveis ou edições especiais – representaram 17% das exportações totais brasileiras entre janeiro e setembro de 2026. Foram remetidas 4,950 milhões de sacas, mas o volume representa uma queda de 16,3% em relação ao ano anterior. A receita cambial desses produtos totalizou US$ 2,020 bilhões, com preço médio de US$ 408,07 por saca, correspondendo a 20% do faturamento total do café, embora também tenha apresentado uma redução de 19,6% em relação a 2025.
Os Estados Unidos também lideram o ranking de destinos para os cafés diferenciados, absorvendo 813.829 sacas, ou 16,4% do total dessa categoria. Alemanha, Bélgica, Itália e Holanda (Países Baixos) são outros importantes mercados para os grãos brasileiros de maior valor agregado. A infraestrutura portuária, com destaque para o Porto de Santos, segue como um pilar fundamental para o escoamento da produção cafeeira do Brasil.
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