Derretimento de geleiras impulsiona dois terços da elevação dos oceanos, revela Nasa
Um estudo recente da NASA aponta que dois terços do aumento médio anual de 0,3 milímetros no nível dos oceanos desde os anos 90 são resultado direto do derretimento de geleiras e calotas polares. A missão GRACE-FO, responsável pelos dados, monitora a movimentação da água no planeta, alertando para os impactos críticos, como inundações costeiras e a escassez hídrica global, que afetam bilhões de pessoas.

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Os oceanos do mundo estão subindo a uma taxa média de 0,3 milímetros por ano desde meados dos anos 1990, e a maior parte desse aumento tem uma origem preocupante: dois terços desse volume vêm diretamente do derretimento de geleiras e calotas polares. Esse dado crucial, revelado pela missão GRACE-FO da NASA, é um dos indicadores mais claros do avanço do aquecimento global e de suas consequências diretas sobre o planeta.
O que a missão GRACE-FO revela
A missão GRACE-FO (sigla para Experimento de Recuperação de Gravidade e Clima) é uma parceria entre a NASA e o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências, utilizando uma tecnologia de ponta que rastreia a movimentação da água por todo o globo. Dois satélites idênticos orbitam a Terra a cerca de 200 quilômetros de distância, medindo variações no campo gravitacional do planeta. Essas medições permitem identificar as mudanças no volume de água em grandes aquíferos subterrâneos, o derretimento de massas de gelo, o nível dos oceanos e até a formação de correntes oceânicas. O sistema atual, em órbita desde 2018, utiliza sinais de micro-ondas e tecnologia laser para mapear essas transformações com precisão.
Como explica Felix Landerer, cientista sênior da NASA e um dos idealizadores da missão, "Mapeamos a cada mês o campo gravitacional terrestre e rastreamos as mudanças ao longo do tempo. Se fôssemos como a Lua, esse campo gravitacional não mudaria. Mas na Terra temos água, e a água está constantemente se movimentando. Portanto, o campo gravitacional muda e a distância entre os satélites varia. Dessa forma, podemos aprender sobre o derretimento do gelo".
As causas da elevação e os pontos críticos de degelo
Desde 1993 até 2023, o nível global do mar registrou um aumento total de 11,1 centímetros. Além do impacto predominante do degelo, o terço restante dessa elevação é atribuído à expansão térmica da própria água. À medida que a temperatura dos oceanos aumenta, a água se expande fisicamente, contribuindo para o volume crescente. Os dados da GRACE-FO apontam Antártica e Groenlândia como as regiões mais afetadas, com a Antártica perdendo cerca de 150 gigatoneladas de gelo por ano (resultando em 0,4 mm/ano na elevação do mar) e a Groenlândia, alarmantes 270 gigatoneladas por ano (equivalente a 0,8 mm/ano), entre 2002 e 2023.
Consequências globais para a humanidade e o meio ambiente
Os efeitos desse cenário são complexos e multifacetados, com sérias implicações para o futuro da humanidade. O aumento do nível dos oceanos eleva drasticamente o risco de inundações em áreas costeiras habitadas, ameaçando o desaparecimento de cidades inteiras a longo prazo. As Nações Unidas estimam que 770 milhões de pessoas vivem em regiões costeiras vulneráveis, e uma projeção de meio metro de elevação até o final do século poderia forçar entre 150 milhões e 300 milhões a deixarem suas casas. Além disso, o recuo das geleiras significa menos água doce disponível para consumo, agricultura e geração de energia hidrelétrica – recursos dos quais quase 2 bilhões de pessoas dependem globalmente, segundo o Relatório Mundial de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos da ONU.
A resposta da ONU e o caminho para a adaptação
A perda dessas massas de gelo também desencadeia alterações significativas nas correntes oceânicas, impactando a dinâmica climática global e elevando a incidência de eventos extremos, como ressacas e inundações mais severas. Ecossistemas inteiros e diversas espécies terrestres e aquáticas correm risco de extinção. Diante da urgência, a Assembleia Geral da ONU aprovou em setembro a primeira Declaração das Nações Unidas sobre a Elevação do Nível do Mar, estabelecendo diretrizes para que os países incorporem essas projeções no planejamento de infraestruturas críticas e mobilizem financiamento para adaptação, com foco especial nos países em desenvolvimento.
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