Parar de fumar pode reduzir risco de demência, indica estudo
Pesquisa com mais de 32 mil pessoas identificou risco 16% menor entre ex-fumantes; ganho pode depender também do controle do peso.

Divulgação
Os benefícios de abandonar o cigarro para a saúde cardiovascular e respiratória são amplamente reconhecidos. Agora, uma pesquisa robusta sugere que a cessação do tabagismo pode ser uma ferramenta poderosa na proteção do cérebro contra o declínio cognitivo associado ao envelhecimento. O estudo, que acompanhou mais de 32 mil adultos nos Estados Unidos por até 25 anos, revelou que ex-fumantes apresentaram um risco 16% menor de desenvolver demência em comparação com aqueles que mantiveram o hábito de fumar.
Benefícios cognitivos e mecanismos em jogo
Publicados na revista Neurology, os resultados indicam que, durante o período de acompanhamento, foram registrados 5.868 casos de demência. A cada dois anos, os participantes eram categorizados como fumantes, ex-fumantes ou indivíduos que nunca haviam fumado. Além da redução no risco de demência, os cientistas observaram que parar de fumar também se associou a um declínio cognitivo mais lento ao longo do tempo. Essa descoberta reforça a relação já estabelecida entre tabagismo e doenças neurodegenerativas, com o cigarro sendo um fator de risco significativo para o desenvolvimento de Alzheimer e demência vascular, as formas mais comuns da condição.
O papel do controle de peso e outros fatores de risco
Um achado particularmente interessante da pesquisa foi a observação de que os benefícios cognitivos foram mais pronunciados entre ex-fumantes que mantiveram um controle de peso após parar de fumar. Aqueles que ganharam mais de 10 kg nos dois anos seguintes à interrupção do tabagismo não experimentaram a mesma redução no risco de demência. Este dado se alinha com um relatório internacional publicado na revista The Lancet em 2024, que identificou 14 fatores potencialmente modificáveis associados ao risco de demência, incluindo obesidade, sedentarismo, colesterol elevado, hipertensão, diabetes e tabagismo. A prevenção da demência, portanto, envolve uma abordagem multifacetada, que vai além da cessação do tabagismo.
Prevenção integral e ganhos em todas as idades
A neurologista Jerusa Smid, do Einstein Hospital Israelita, destaca que o cigarro causa lesões e disfunção vascular, aumentando o risco de acidente vascular cerebral (AVC), que por sua vez pode levar à demência. Além disso, o tabagismo contribui para o estresse oxidativo, prejudicando os mecanismos naturais de neuroproteção. A prevenção da demência, segundo Smid, deve incluir o controle de peso, a prática de atividade física regular, o acompanhamento de doenças cardiovasculares como hipertensão e diabetes, e a manutenção de hábitos saudáveis. É crucial combater a ideia de que parar de fumar em idades mais avançadas não traz benefícios. Embora a cessação antes dos 40 anos ofereça o maior impacto, ganhos significativos são observados em qualquer fase da vida, inclusive para pessoas com mais de 65 ou 75 anos.
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