OpenAI vê Brasil como teste global para Ia nas eleições
Para Bruno Lewicki, chefe de Políticas Públicas da OpenAI na América Latina, as eleições brasileiras de 2026 serão um dos primeiros grandes testes mundiais sobre o uso de inteligência artificial em pleitos regulados. A empresa afirma ter adaptado o ChatGPT às regras do TSE, com barreiras contra recomendações políticas, identificação de conteúdo sintético e controles sobre divulgação no período eleitoral.

Divulgação
O Brasil deve se tornar uma referência internacional para o uso de inteligência artificial em eleições. A avaliação é de Bruno Lewicki, chefe de Políticas Públicas da OpenAI na América Latina, para quem o pleito de 2026 representa um ponto de virada pela popularização das ferramentas capazes de criar textos, imagens, áudios e vídeos sintéticos.
Na visão do executivo, as medidas adotadas no país serão observadas com atenção diante de outros calendários eleitorais ao redor do mundo. O Brasil reúne uma combinação pouco comum: alta utilização de plataformas digitais, campanhas intensas nas redes sociais e regras específicas para aplicações de IA na disputa por cargos públicos.
Modelos precisam evitar recomendações políticas
Lewicki destacou que a OpenAI se prepara para atuar dentro das normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Uma das principais determinações impede sistemas de inteligência artificial de ranquear, recomendar, sugerir, favorecer ou prejudicar candidatos e partidos. Segundo ele, parte das regras ainda exige interpretações sobre sua aplicação prática, mas a empresa já ajustou seus sistemas para reduzir esse risco.
Como exemplo, o ChatGPT foi treinado para não indicar o melhor candidato quando recebe esse tipo de pergunta. Lewicki informou que, em testes internos, o modelo recusou a recomendação em 32 das 33 tentativas. O resultado, segundo o executivo, mostra avanço em relação aos meses anteriores e reforça a necessidade de testes contínuos antes e durante a eleição.
Conteúdo sintético ganha identificação
A empresa também passou a incorporar mecanismos de rastreabilidade aos materiais produzidos pelo ChatGPT. Arquivos gerados pela ferramenta podem receber metadados com informações sobre a origem e uma marca d’água invisível. A medida busca facilitar a identificação de conteúdos sintéticos sem alterar necessariamente a experiência do usuário.
Lewicki também comentou a regra do TSE que restringe a publicação, a republicação e o impulsionamento de conteúdos produzidos com IA nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores à votação. De acordo com ele, a determinação se concentra na disseminação do material, e não em sua criação. Assim, a geração de uma imagem ou de um texto sintético é tratada de forma distinta da publicação e da ampliação artificial de seu alcance.
O desafio agora será verificar se as salvaguardas funcionam de maneira consistente em situações reais. Além da resposta dos modelos, será necessário combater usos indevidos fora das plataformas oficiais, identificar manipulações e esclarecer ao eleitor quando está diante de conteúdo sintético. Por isso, as eleições de 2026 podem indicar se a combinação entre regulação, tecnologia e educação digital é suficiente para preservar a confiança no processo eleitoral.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








