Trump aceita chinesas nos EUA, mas Ford e Gm defendem bloqueio
Donald Trump admite a instalação de fábricas chinesas nos Estados Unidos se houver geração de empregos locais, mas montadoras tradicionais pressionam por uma proibição permanente dos veículos conectados do país asiático.

Divulgação
Donald Trump sinalizou que aceitaria a instalação de montadoras chinesas nos Estados Unidos, desde que elas produzam localmente e contratem trabalhadores americanos. A proposta representa uma possível abertura para empresas como BYD, Geely e Chery, mas ainda encontra resistência dentro da própria indústria automobilística do país.
Empregos como condição para a entrada das chinesas
Para Trump, a nacionalidade da marca seria menos importante do que a capacidade de gerar postos de trabalho nos Estados Unidos. O presidente comparou o movimento ao realizado por montadoras japonesas, que construíram fábricas no território americano e passaram a contar principalmente com mão de obra local.
A abordagem confirma uma estratégia já usada em outras negociações comerciais: combinar barreiras e ameaças tarifárias com a promessa de acesso ao mercado americano. Na prática, as empresas estrangeiras podem ser pressionadas a investir em fábricas e empregos dentro do país para obter tratamento mais favorável.
Regras atuais dificultam a venda de veículos conectados
A declaração, porém, não resolve o principal obstáculo regulatório. Uma norma aprovada no governo Joe Biden impede, a partir do ano-modelo 2027, a venda de determinados veículos conectados chineses nos Estados Unidos, mesmo que sejam fabricados em solo americano.
A restrição também atinge softwares utilizados em sistemas de conectividade e condução automatizada. O bloqueio a componentes de hardware deve avançar nos anos seguintes. Como essas tecnologias estão presentes na maior parte dos veículos novos, a regulamentação limita fortemente a atuação direta das marcas chinesas.
Trump ainda não explicou como pretende conciliar a abertura defendida por ele com as regras atualmente em vigor. Para que uma fabricante chinesa instale uma fábrica e venda seus carros normalmente no mercado americano, seria necessária uma revisão da legislação ou a concessão de autorizações específicas.
México continua fora da estratégia
O possível aval vale apenas para investimentos dentro dos Estados Unidos. Trump voltou a rejeitar a instalação de fábricas chinesas no México com o objetivo de exportar veículos para o mercado americano. A proposta já foi alvo de ameaças de tarifas elevadas e levou diversas montadoras a reconsiderar projetos no país.
Ford, GM e outras montadoras pressionam Washington
A indústria tradicional não demonstra o mesmo entusiasmo. A Alliance for Automotive Innovation, entidade que reúne Ford, General Motors, Stellantis, Toyota, Volkswagen, Hyundai e Honda, pediu ao Congresso que transforme as restrições existentes em uma proibição permanente contra a venda, a importação e a fabricação de veículos conectados chineses nos Estados Unidos.
As montadoras argumentam que as empresas chinesas avançam em mercados internacionais com apoio de subsídios do governo de Pequim. Elas também citam preocupações relacionadas à segurança de softwares, componentes conectados e coleta de dados como justificativa para manter a entrada das concorrentes sob controle.
O embate coloca dois interesses econômicos em lados opostos. De um lado, Trump prioriza a criação de empregos e a atração de investimentos industriais. Do outro, as montadoras estabelecidas no país tentam preservar sua posição e evitar que novas concorrentes ganhem escala em um dos mercados automotivos mais importantes do mundo.
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