Novo Dacia Spring troca multimídia por celular para reduzir preço
A versão de entrada do novo Dacia Spring elimina a central multimídia e usa o smartphone do proprietário como tela, estratégia que ajuda a manter o preço competitivo.

Divulgação
A Dacia adotou uma solução incomum na versão de entrada do novo Spring, vendido na Europa como modelo 2027. Para reduzir custos e preservar o_positionamento de elétrico acessível, o compacto deixa de oferecer tela central e transforma o smartphone do proprietário na central de entretenimento.
Smartphone assume funções da multimídia
O sistema Media Control utiliza um suporte integrado ao painel, instalado exatamente onde ficaria a central nas versões mais completas. Depois de conectado ao carro, o aparelho pode exibir navegação, músicas, rádio e chamadas. Parte das funções também pode ser controlada pelos botões do volante, reduzindo a necessidade de manusear o celular durante a condução.
Quando não está em uso, o compartimento vertical recebe uma tampa e mantém o acabamento do painel. A proposta lembra soluções já oferecidas no Brasil, como o Live On, do Fiat Mobi, e o MyFord Dock, do Ford Ka. Esses sistemas perderam espaço com a popularização das centrais com Android Auto e Apple CarPlay, mas a Dacia recupera a ideia partindo de um argumento simples: grande parte dos motoristas já carrega uma tela potente no bolso.
Cortes ajudam a conter o preço
Na França, o Spring básico começa em 17.900 euros, enquanto a configuração imediatamente superior parte de 19.400 euros. Em conversão direta, os valores ficam perto de R$ 107 mil e R$ 116 mil, respectivamente. Mesmo na versão mais simples, o carro mantém quadro de instrumentos digital de 7 polegadas, ar-condicionado, vidros elétricos dianteiros, retrovisores com ajuste elétrico e freio de estacionamento eletrônico.
As economias aparecem em outros detalhes. As rodas são de aço de 15 polegadas com calotas, a partida passa a usar chave convencional e os vidros traseiros não descem: eles apenas basculam para fora. Nas configurações superiores, boa parte dessas limitações desaparece com central de 10 polegadas, rodas de 16 polegadas, câmera de ré, acesso sem chave, carregamento rápido de 50 kW e função V2L para usar a bateria como fonte de energia.
Nova geração cresce e ganha mais desempenho
O Spring não é apenas uma atualização econômica do modelo anterior. A nova geração utiliza a plataforma RGEV Small, desenvolvida desde o início para carros elétricos e compartilhada com o Renault Twingo E-Tech. A produção será realizada em Novo Mesto, na Eslovênia, substituindo a fabricação chinesa do antecessor.
O compacto cresceu para 3,85 metros de comprimento e 1,74 metro de largura. O motor dianteiro passa a entregar 82 cv, alimentado por uma bateria LFP de 27,5 kWh, suficiente para autonomia declarada de 250 km no ciclo WLTP. O projeto foi desenvolvido em 16 meses com apoio de componentes e soluções já aplicadas no Twingo.
A relação histórica com o Renault Kwid E-Tech vendido no Brasil ajuda a explicar o interesse pelo modelo, mas o Spring europeu segue agora um caminho próprio. A retirada da multimídia mostra a estratégia da Dacia: modernizar o carro e ampliar desempenho, espaço e autonomia sem abrir mão do preço, ainda que o comprador precise aceitar concessões nos equipamentos.
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